O coordenador econômico da campanha de Flávio Bolsonaro, Adolfo Sachsida, disse hoje que um eventual governo do candidato do PL irá "preservar" e "fortalecer" os programas sociais. Sachsida também negou a intenção de privatizar a Caixa Econômica, o Banco do Brasil e a Petrobras. As declarações, em vídeo publicado no Instagram, foram feitas após a publicação pela Folha de S.Paulo de uma reportagem segundo a qual a equipe de Flávio Bolsonaro estuda corrigir o piso das aposentadorias e o valor do BPC apenas pela inflação, e não mais pelo reajuste do salário mínimo. Hoje, o valor dos benefícios, pagos a cerca de 30 milhões de pessoas, é de R$ 1.621,00 por mês. Sem a equiparação ao salário mínimo, instituída pelo governo Lula em 2003, e apenas com a correção pelo INPC, o valor seria de R$ 740,00, menos da metade. Segundo a reportagem, outra medida em estudo é acabar com a regra que vincula os orçamentos da saúde e educação ao comportamento das receitas federais. "As propostas foram apresentadas por interlocutores da campanha do senador em encontros com empresários e agentes do mercado financeiro ao longo deste ano. Algumas foram informadas também à reportagem da Folha", diz o texto. Após a publicação da reportagem, o candidato afirmou que, se eleito, manterá os reajustes das aposentadorias do INSS acima da inflação. "Eu não vou fazer economia em cima de quem precisa, das pessoas mais carentes desse Brasil", disse Flávio Bolsonaro. Para Mano Ferreira, as declarações de Flávio Bolsonaro e do coordenador econômico revelam uma contradição no discurso da campanha do filho de Jair Bolsonaro. "Não tem como prometer responsabilidade fiscal e ajuste das contas de um lado e dizer que não vai tomar essas outras medidas do outro. A conta não fecha." A "incoerência" também foi notada por João Paulo Charleaux, para quem a campanha tem o desafio de sinalizar ao mercado a disposição de realizar um ajuste fiscal sem assumir publicamente os impactos das medidas sobre a população. "Quando isso sai na manchete do jornal, você tem o coordenador da área econômica vindo fazer o famoso 'veja bem'." Graciliano Rocha nota que, no programa de governo do candidato registrado no TSE, não há menções a idade mínima, teto de benefícios ou à indexação das aposentadorias ao salário mínimo. "A opacidade não é acidental. Desindexar o piso previdenciário, mexer em regras de aposentadoria (...) são medidas que custam votos, e nenhuma campanha anuncia a semanas de uma eleição apertada." |
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