sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Governo pede apuração sobre plano dos EUA para financiar grupos de direita

 

O presidente dos EUA, Donald Trump, fala com repórteres no Gramado Sul da Casa Branca

O presidente dos EUA, Donald Trump, fala com repórteres no Gramado Sul da Casa Branca

Evan Vucci/REUTERS



Asdrúbal Figueiró

A AGU (Advocacia-Geral da União) pediu hoje à Polícia Federal e ao MPF (Ministério Público Federal) que abram uma investigação para apurar um suposto plano do governo Trump para financiar grupos de extrema direita no Brasil.

O programa foi revelado em uma reportagem do jornal inglês The Guardian com o título "Governo Trump desvia recursos destinados aos direitos humanos para promover uma agenda de extrema-direita no exterior".

Segundo o The Guardian, o programa conta com um orçamento de mais de US$ 175 milhões (cerca de R$ 900 milhões). Desse total, US$ 1 milhão (R$ 5,2 milhões) estaria destinado a uma campanha contra o STF chamada "Combatendo o lawfare e a censura no Brasil".

Para a AGU, a reportagem mostra "um possível direcionamento de verbas públicas do governo dos Estados Unidos para o financiamento de redes e organizações atuantes no território brasileiro" com a finalidade de interferir no debate político e institucional e de deslegitimar o STF (Supremo Tribunal Federal).

Hoje, Donald Trump também disse hoje que acompanha "bem de perto" as eleições no Brasil. A declaração foi feita em resposta à pergunta de uma repórter. "É um país incrível, o povo é fantástico, é uma eleição muito importante", disse.

Em outro desdobramento, Mariana Sanches informa que o representante comercial de Donald Trump, Jamieson Greer, indicou nesta manhã ao ministro Márcio Elias Rosa, da pasta de Desenvolvimento, Indústria e Comércio, que os EUA só devem retomar as negociações sobre o tarifaço contra produtos brasileiros depois do segundo turno.

Para Leonardo Sakamoto, se o Brasil vivesse uma democracia saudável, a interferência do governo de Donald Trump na eleição deste domingo estaria estampada diariamente em todas as manchetes.

"Mas o país passou a tratar o tema como algo banal, enquanto Washington mexe as peças do tabuleiro para ajudar os entreguistas."

O comando da política externa, e da relação com os Estados Unidos, em um eventual governo Flávio Bolsonaro, já é objeto de disputa interna na campanha do candidato do PL, segundo Mano Ferreira.

"Há uma clara divisão na estratégia da campanha de Flávio Bolsonaro entre aquela ala que (...) tenta conduzir uma imagem de Flávio Bolsonaro como técnico, enquanto existe uma outra ala muito mais ligada ao seu irmão, Eduardo Bolsonaro, que é essa ala absolutamente louca, radical, de extrema direita, sem qualquer tipo de filtro."

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