sábado, 17 de outubro de 2026

Meta admite favorecimento a Flávio, mas nega interferência nas eleições

 

Dado Ruvic/Reuters



Asdrúbal Figueiró

A Meta admitiu hoje que sua ferramenta de inteligência artificial bloqueou a geração de material de campanha de apoio a Lula (PT), mas permitiu a produção do mesmo conteúdo sobre Flávio Bolsonaro (PL). A falha havia sido revelada por Thais Bilenky no UOL anteontem.

A empresa, dona do WhatsApp, do Instagram e do Facebook, afirmou em nota que a falha foi resultado de um problema técnico e negou a existência de "viés político".

"Nossos sistemas bloqueavam prompts no Brasil que mencionavam claramente qualquer um dos candidatos, (...) mas nem sempre reconheciam um candidato quando um primeiro nome comum era combinado com um número eleitoral."

Mensagens internas de funcionários da empresa, obtidas pela Folha de S.Paulo, indicam que a Meta também prejudicou a campanha de Lula ao restringir por 24 horas o impulsionamento de conteúdo do candidato e permitir que o algoritmo do Instagram sugerisse o perfil de Flávio — o que fere as regras eleitorais.

O WhatsApp chegou a indicar o canal "Tropa do Flávio", de apoio ao candidato do PL, a usuários que haviam buscado a expressão "Exército do Lula", grupo criado pelo deputado André Janones em apoio ao presidente.

Procurada pela Folha, a Meta afirmou que "as alegações de que atua para interferir no processo eleitoral ou favorecer uma candidatura são falsas e não encontram respaldo nos fatos".

A campanha de Lula (PT) se prepara para pedir ao TSE a investigação de Flávio Bolsonaro por abuso de poder, com base no que considera indícios de interferência da Meta na disputa eleitoral.

Na avaliação de Thais Bilenky, as plataformas da Meta se tornaram arenas centrais na disputa eleitoral, e o TSE deveria ter "estrutura e musculatura" para fiscalizar a campanha nesse ambiente privado.

"É muito diferente de ter uma campanha na TV e no rádio, que já tem lei estabelecida prevendo e tentando garantir de alguma forma, e garantindo mesmo, a igualdade de condições para os candidatos.

Para Ronilso Pacheco, a possibilidade de a Meta promover algum tipo de interferência nas eleições é algo que deveria ter recebido "um alto grau de acompanhamento, até do TSE".

"Temos uma série de eventos muito bem documentados que mostram que o poder econômico e político acumulado por essas plataformas as tornam atores que são muito definitivos na manutenção do debate público."

Segundo Helton Simões Gomes, mais de 60 organizações não governamentais de 25 países pediram em carta que a ONU monitore as ações de big techs no processo eleitoral brasileiro.

"O que está em jogo no Brasil não é apenas o resultado de uma eleição, mas a demonstração do efeito para todas as democracias (...) As autoridades precisam agir antes que seja tarde demais", diz o texto da carta.

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