Estariam operando atos irregulares com a atual gestão da Sema o suplente de deputado Leo Cunha, o ex-prefeito de Itinga, Quininha, e o ex-prefeito de Santa Inês, Franklin Sebba.
O ImparcialVazou um documento da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) que comprova a fraude nos lançamentos de créditos florestais, praticada pela atual gestão que tem à frente Washington Rio Branco (PV). O esquema para “esquentar” madeiras extraídas ilegalmente teria causado, em um único dia, um rombo estimado em mais de R$ 150 milhões aos cofres públicos.No documento constam os lançamentos de créditos virtuais no sistema de gestão florestal, no dia 29 de junho, feriado de São Pedro, beneficiando 13 empresas, inclusive a que é ligada ao empresário José Albécio Oliveira Freitas (P L CARDOSO FILHO), mais conhecido como “Sergipano”.
O crédito ‘fantasma’ que o agraciou, coincidentemente, foi liberado logo após ele ter obtido a licença ambiental nº 4414/2009, no dia 22 de junho, assinada por Washington Rio Branco, através do processo 542/2007. Sergipano, inclusive, foi preso na última terça-feira, 18, pela Polícia Federal na operação Arco Verde por comercialização ilegal de madeira. Em recente matéria de um jornal da cidade, o empresário negou ter obtido qualquer favorecimento do ex-superintendente da Sema, Charlys Wagner, e agora aparece como um dos principais beneficiários do esquema comandado por Washington Rio Branco.
O documento, que informa o nome das empresas, o login, a ação, a data e o IP de acesso, já está na Polícia Civil, que investiga o caso. No documento, há fortes indícios de envolvimento de mais três nomes conhecidos do meio político e do contador Sidney Nascimento Araújo, que presta serviços para madeireiras nas regiões Sul e Sudeste do Maranhão.
Estariam operando atos irregulares com a atual gestão da Sema o suplente de deputado Leo Cunha, o ex-prefeito de Itinga, Quininha, e o ex-prefeito de Santa Inês, Franklin Sebba. Os dois primeiros atuam no ramo de madeireira e o último é consultor.
Fraude virtual
Segundo uma fonte de dentro do órgão ambiental, as informações apuradas dão conta de que a viabilidade da fraude passaria pelo apoio da área de informática. A gestão florestal se dá por um sistema computacional, que, como tal, tem seus mecanismos de segurança sob gestão de quem conduz o serviço de informática dentro da organização.
Aliado a isso, os desmandos investigados na Sema estariam aliados à inoperância da fiscalização, pois, desde o início da atual gestão, nenhuma equipe de fiscais foi enviada para o interior a fim de apurar a extração e o transporte ilegais de madeira. Na Ponta da Espera, por exemplo, diariamente têm chegado a São Luís dezenas de caminhões com carregamento de madeira ilegal, porque a fiscalização foi suspensa desde que Rio Branco assumiu a secretaria.
De acordo com a mesma fonte, a emissão de guias florestais fraudulentas serve para “esquentar” madeiras extraídas ilegalmente. No Maranhão, os alvos principais dos madeireiros são as unidades de conservação, como a Reserva Biológica do Gurupi ou o Parque Estadual do Mirador, além das reservas indígenas.