quinta-feira, 12 de maio de 2016

Processo de impeachment é aberto, e Dilma é afastada por até 180 dias

Senadores aprovaram instauração de processo por 55 votos a 22. Presidente fica afastada por até 180 dias enquanto é julgada no Senado.

Do G1, em Brasília
O plenário do Senado Federal aprovou às 6h34 desta quinta-feira (12) a abertura do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff por 55 votos a favor e 22 contra. Com a decisão, ela fica afastada do mandato por até 180 dias. Com o afastamento de Dilma, o vice Michel Temerassume a Presidência da República.
A sessão começou às 10h de quarta-feira (11), adentrou a madrugada e durou mais de 20 horas. O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), não votou – ele só votaria em caso de empate. Dois senadores, de licença médica, se ausentaram: Jader Barbalho (PMDB-PA) e Eduardo Braga (PMDB-AM).
Dilma Rousseff deve ser oficialmente notificada nesta quinta (12) da decisão do afastamento.
Senadores a favor do impeachment aplaudem após a votação que decidiu pela admissibilidade no Senado Federal, em Brasília (Foto: Ueslei Marcelino/Reuters)Senadores a favor do impeachment aplaudem após a votação que decidiu pela admissibilidade no Senado Federal, em Brasília (Foto: Ueslei Marcelino/Reuters)
Segundo Renan informou após o resultado da votação, a presidente vai manter, no período em que estiver afastada, o direito à residência oficial do Palácio da Alvorada, segurança pessoal, assistência saúde, remuneração, transporte áreo e terrestre e equipe a serviço do gabinete pessoal da Presidência.
Agora, o Senado passará a colher provas, realizar perícias, ouvir testemunhas de acusação e defesa para instruir o processo e embasar a decisão final. O julgamento será presidido pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, que também comandará a Comissão Processante do Senado.
O impedimento definitivo da presidente depende do voto favorável de 54 (dois terços) dos 81 senadores, em julgamento que ainda não tem data para ocorrer.
Temer será o terceiro presidente do PMDB desde a redemocratização. Os outros foram Itamar Franco (1992), que substituiu Fernando Collor de Mello (à época no PRN) após o impeachment, e José Sarney (1985), que tomou posse após a morte de Tancredo Neves (PMDB).
Repercussão
Logo após o resultado, políticos comentaram, ainda no plenário a decisão de afastar Dilma por até 180 dias.

Para o senador Aécio Neves (MG), presidente nacional do PSDB, o novo governo, de Temer, não poderá errar e precisa fazer "grandes reformas".
"Acredito muito na sinalização. Uma nova sinalização que poderá ser dado nesse governo. Temer terá uma chance e não poderá errar. Terá o PSDB ao seu lado para minimizar os danos causados pelo governo.Certamente ele não terá apoio apenas congressual, mas da sociedade brasileira, se estiver disposto a fazer as grandes reformas", afirmou Aécio.
Humberto Costa (PT-PE), líder do governo, afirmou que o primeiro passo do PT vai ser defender o programa do partido e fazer oposição ao governo Temer.
"Ontem tivemos políticas públicas que fizeram o país avançar. Certamente esse legado será lembrado pelo povo brasileiro. Quanto a recursos vamos avaliar se cabe algum tipo de recurso a essa decisão. Nosso primeiro passo vai ser resgatar o programa do PT, acompanhar esse governo ilegítimo e defender a força das nossas propostas," disse Costa.
O senador Eunício Oliveira (PMDB-CE) afirmou que o dia não é de comemoração, mas que o afastamento da presidente dá uma "esperaça" para a população.
"Não é um dia de comemoração. Algumas comemorações que aconteceram foram por parte de deputados, que vieram da outra casa, e fizeram ligeira manifestação.  [...]  A expectativa é de esperança para o povo brasileiro. O Congresso tomou a decisão sintonizada com sentimento das ruas. Não é algo que possamos comemorar, mas algo que devemos levar como processo de renovação e esperança", disse Eunício.
Para o senador Lindbergh Farias (PT-RJ), o afastamento de Dilma é um "absurdo". Ele voltou a argumentar, como tem feito nos últimos dias, que a presidente não cometeu crime de responsabilidade.
"Achamos um absurdo afastar uma presidenta sem crime de responsabilidade, é uma grande injustiça. Não há crime de responsabilidade. Está sendo afastada porque há maioria parlamentar contra ela [...] Agora vamos entrar em nova etapa, uma mais técnica, e eu acredito ainda que na batalha final do julgamento temos chance, porque eles vão precisar de 54 votos e tiveram 55", disse Lindbergh.
Senadores a favor do impeachment aplaudem após a votação que decidiu pela admissibilidade no Senado Federal, em Brasília (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)Senadores a favor do impeachment aplaudem após a votação que decidiu pela admissibilidade no Senado Federal, em Brasília (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Impeachment no Senado
Depois que a Câmara autorizou a abertura do processo, em 17 de abril, o Senado iniciou a análise da admissibilidade, ou seja, se o relatório aprovado pelos deputados continha os requisitos mínimos: indícios de autoria e de existência de um crime de responsabilidade.

Na última sexta (6), o relatório do senador Antonio Anastasia (PSDB-MG), que recomendou a abertura do processo, foi aprovado por 20 votos a 5, na Comissão Especial do Impeachment do Senado, composta por 21 senadores. Só não votou Raimundo Lira (PMDB-PB), presidente da comissão.

No plenário da Câmara, o impeachment recebeu 367 votos favoráveis e 137 contrários. Houve sete abstenções e somente dois ausentes dentre os 513 deputados.

Acusação e defesa
Conforme denúncia assinada pelos juristas Janaina Paschoal, Hélio Bicudo e Miguel Reale Jr., Dilma atentou contra a lei orçamentária ao autorizar despesas extras de R$ 2,5 bilhões, entre julho e agosto de 2015, mesmo ciente de que o gasto era incompatível com a meta fiscal, economia anual do governo para pagar a dívida pública.

A abertura dos créditos suplementares foi determinada por meio de decretos não numerados sem prévia autorização do Congresso.

Além disso, a denúncia aponta que a presidente usou dinheiro emprestado do Banco do Brasil para bancar juros menores concedidos a agricultores no Plano Safra de 2015. Tratam-se das “pedaladas fiscais”, artifício para disfarçar rombo nas contas públicas.

A acusação é de que ela teria contraído “operação de crédito ilegal”, já que a Lei de Responsabilidade Fiscal proíbe o governo de usar dinheiro emprestado de bancos públicos, controlados pelo próprio Executivo.

Durante a análise das acusações nas comissões do Senado e da Câmara, a Advocacia Geral da União (AGU) alegou que os atos não configuram crimes de responsabilidade e que também foram praticados em governos passados, sem qualquer questionamento.
Quanto aos decretos, a defesa argumentou que eles não comprometeram a meta fiscal, já que no início de 2015, o governo havia bloqueado um volume maior de recursos do Orçamento. Além disso, alegou que os decretos apenas remanejaram as despesas, sem ampliação de gastos.
Em relação às “pedaladas fiscais”, o governo sustenta que não se tratam de empréstimos dos bancos públicos, mas de contrato de serviço de pagamento dos benefícios sociais. Caso o dinheiro repassado pelo Tesouro não seja suficiente, o banco paga a diferença e recebe juros quando o governo quita a dívida. Se sobra dinheiro, o governo recebe juros do banco.
Próximas etapas
Saiba quais serão os próximos passos da tramitação do processo de impeachment no Senado:

INSTRUÇÃO PROBATÓRIA
>> Com a autorização do plenário para a abertura do processo, o caso volta à Comissão Especial do Impeachment para a etapa de produção de provas, chamada de fase de instrução.
>> Será concedido à presidente um prazo de, pelo menos, 20 dias para apresentar a sua defesa – o prazo será fixado pelo presidente da comissão especial, senador Raimundo Lira (PMDB-PB).
>> Nessa fase, acusação e defesa poderão pedir a convocação de testemunhas, a realização de perícias e o envio de documentos que acharem adequados, como pareceres do Tribunal de Contas da União. Não há prazo definido para essa etapa. Por se tratar de um processo judiciário, o comparecimento das testemunhas convocadas é obrigatório – sob pena de serem conduzidas coercitivamente.
>> No final dessa etapa, a presidente Dilma Rousseff poderá ser interrogada. Ainda não está definido, mas é possível que se abra um prazo de até 15 dias para as alegações finais da acusação e mais 15 dias para as alegações da defesa – nenhum fato ou argumento novo poderá ser inserido.
>> A partir daí, haverá um prazo mínimo de dez dias consecutivos para que o relator apresente um parecer sobre a procedência ou a improcedência da acusação e para que a comissão vote – dentro desse período.
>> Para ser aprovado, esse parecer, que passa a ser chamado de parecer de pronúncia, necessita de maioria simples. Se isso ocorrer, considera-se procedente a acusação e começa a fase de julgamento. A decisão será lida na sessão seguinte do plenário do Senado, e o parecer, publicado no "Diário Oficial do Senado".
>> Esse parecer deverá ser submetido ao plenário do Senado em até 48 horas. No plenário, ainda não está definido se a acusação e a defesa terão 30 minutos cada para se pronunciar. Deverá, então, ser concedido prazo, provavelmente de 15 minutos, para que cada um dos 81 senadores se manifeste, o que poderá levar cerca de 20 horas e meia.
>> Para a votação valer, precisam estar presentes à sessão pelo menos 41 dos 81 senadores (maioria absoluta). Para que o parecer seja aprovado, é necessária maioria simples dos senadores presentes – metade mais um. A sessão será presidida pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, que passa a ter o nome oficial de presidente do Senado como órgão judiciário. O presidente do Senado, Renan Calheiros, poderá votar como qualquer outro senador nesta segunda votação.
>> Uma vez aprovado o parecer, as partes serão notificadas. Deverá ser concedido um prazo aos autores da denúncia para que apresentem em até 48 horas uma peça chamada no jargão jurídico de libelo acusatório, que nada mais é do que uma consolidação das acusações e provas produzidas. Eles também deverão apresentar um rol de testemunhas.
>> Em seguida, a defesa terá 48 horas para apresentar uma resposta, chamada no jargão de contrariedade ao libelo, além do rol de testemunhas. Todo o processo é encaminhado para o presidente do Supremo, a quem caberá marcar uma data para o julgamento e intimar as partes e as testemunhas. Deverá ser respeitado um prazo mínimo de dez dias para se marcar o julgamento. Se o parecer no plenário do Senado for rejeitado, o processo é arquivado e a presidente reassume o cargo.
JULGAMENTO FINAL
>> Na data marcada, o julgamento será realizado no plenário do Senado, presidido pelo presidente do Supremo, ministro  Ricardo Lewandowski, novamente na condição de presidente do Senado como órgão judiciário.
>> As partes podem comparecer pessoalmente ao julgamento ou serem representadas por procuradores. Poderão ser convocadas testemunhas, que serão interrogadas pela acusação, defesa e pelos senadores, que assumem o papel de juízes. No entanto, as perguntas dos parlamentares não serão feitas diretamente por eles. Elas terão que ser encaminhadas para Lewandowski para que ele faça as indagações.
>> O número de testemunhas e o tempo dos depoimentos ainda precisarão ser definidos. Ainda há previsão, segundo a Secretaria-Geral da Mesa do Senado, de realização de debates orais, embora não esteja definido quem exatamente poderia falar.
>> Depois disso, as partes se retiram da sessão para discussão entre senadores – não está definido quanto tempo cada um terá para se manifestar. O presidente Ricardo Lewandowski  elaborará um relatório, que é diferente de um parecer, pois não haverá juízo de valor.
>> Em seguida, acontece a votação nominal. Os senadores serão chamados ao microfone para responder “sim”, “não” ou “abstenção” à seguinte pergunta: “Cometeu a acusada Dilma Vana Rousseff os crimes que lhe são imputados, e deve ser ela condenada à perda de seu cargo e à inabilitação temporária, por oito anos, para o desempenho de qualquer função pública, eletiva ou de nomeação?”
>> Não há definição de como será a ordem de chamada – caberá ao presidente Lewandowski decidir essa questão. Para ser aprovado o impeachment, são necessários os votos de pelo menos dois terços dos senadores (54 votos).
>> Caso o impeachment seja aprovado, Lewandowski lavra a sentença, que é publicada no "Diário Oficial". Dilma é então notificada, perde o mandato e fica inelegível por oito anos. O processo é, então, encerrado. Se rejeitado o impeachment, o processo é arquivado e a presidente da República reassume.

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Em sessão rápida, Senado aprova cassação de Delcídio do Amaral

Em uma sessão rápida e com quase nenhum debate, ao menos sobre o caso em questão, o Senado aprovou na noite desta terça-feira (10) a cassação do mandato do senador Delcídio do Amaral (ex-PT-MS) por quebra de decoro parlamentar por 74 votos favoráveis e 1 abstenção, a do senador João Alberto (PMDB-MA), presidente do Conselho de Ética da Casa. Nenhum senador votou contra.
Delcídio é o terceiro senador a ser cassado na história do Senado. Ele teve o maior placar contrário a ele. Antes foram cassados Luiz Estevão, em 2000, com 52 votos, e Demóstenes Torres, em 2012, com 56 votos. Ele ficará inelegível por oito anos a partir do fim do mandato, que seria em 2019, embora a defesa do senador prometa recorrer à Justiça da decisão desta noite.
O senador foi acusado de formação de organização criminosa e de atrapalhar as investigações da Operação Lava Jato quando tentou tramar a fuga do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, preso pela investigação do petrolão. Ele foi flagrado em uma conversa com o filho de Cerveró, Bernardo, em que traçava o plano como forma de convencer Cerveró a não contar tudo o que sabia sobre os esquemas de corrupção da estatal em uma delação premiada. O senador também ofereceu ajuda financeira à família.
Conforme o rito estabelecido, primeiro, falaram os dois relatores do processo no Senado. Telmário Mota (PDT-RR), que elaborou o parecer no Conselho de Ética, e Ricardo Ferraço (PSDB-ES), na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça). Telmário ressaltou que Delcídio teve a oportunidade de se defender no Conselho de Ética por diversas vezes mas não compareceu. Ele afirmou também que a denúncia mostra que ele quebrou o decoro parlamentar ao tentar atrapalhar as investigações da Operação Lava Jato no ano passado.
Em seguida, foi a vez de Randolfe Rodrigues (Rede-AP), representando o partido autor da representação que pediu a cassação do senador falar. De acordo com ele, Delcídio “afrontou a dignidade do Senado”. “Parece inconteste que a dignidade do Senado foi afrontada e atingida pelo senador Delcídio do Amaral. Em poucos momentos da história, o Senado viveu tanto constrangimento”, disse.
Embora tenha sido dado tempo para a manifestação da defesa, Delcídio e seus advogados não compareceram à sessão. Como a Folha mostrou, o advogado do senador, Antonio Figueiredo Basto, se recusou a comparecer ao que chamou de “comédia de fantoches” e disse que o processo foi viciado pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), ao manobrar nesta segunda (9) para acelerar o caso e forçar a sua conclusão antes da votação do impeachment da presidente Dilma Rousseff, marcado para esta quarta (11).
Para que fosse escolhido um defensor dativo, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), suspendeu os trabalhos por alguns minutos.
Quem leu a defesa de Delcídio foi Danilo Aguiar, consultor-geral do Senado. Ele reiterou os argumentos utilizados pelos advogados do senador nos colegiados na tribuna do plenário e não foi interrompido. Ele também não teve a atenção dos senadores que passaram a sessão em conversas paralelas e pouco prestaram atenção ao que se dizia sobre o caso do ex-petista.
Com a cassação de Delcídio, o seu suplente Pedro Chaves dos Santos (PSC-MS) poderá votar no processo de impeachment nesta quarta se ele tomar posse no cargo antes.
O suplente tem relação familiar com outro personagem investigado por corrupção no âmbito da Petrobras. Sua filha, Neca Chaves Bumlai, é casada com Fernando Bumlai, filho do pecuarista José Carlos Bumlai.
O empresário é amigo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e foi preso por supostamente participar de um esquema de corrupção e fraude para pagar dívidas da campanha da reeleição do petista. A família Bumlai pertence também ao círculo mais próximo de amigos de Delcídio.
AFASTAMENTO
Após cinco meses e meio afastado do Senado por ter sido preso pela Operação Lava Jato em 25 de novembro do ano passado, Delcídio voltou à Casa pela primeira vez nesta segunda (9) para se defender pessoalmente na reunião da Comissão de Constituição e Justiça que analisava a constitucionalidade e juridicidade do processo contra ele.
Ele e seus advogados saíram da sessão convencidos de que o senador teria mais tempo de sobrevida porque a comissão havia adiado a decisão a decisão para pedir à Procuradoria-Geral da República informações sobre o aditamento feito à denúncia contra o senador junto ao STF (Supremo Tribunal Federal) na semana passada.
O senador chegou a dizer a jornalistas que retomaria seu trabalho normalmente na Casa e que iria convencer seus pares de que a punição com a cassação do mandato era muito dura. Na comissão, ele pediu desculpas pelos erros cometidos e questionou alguns dos argumentos da acusação, como o que afirma que ele tramou a fuga do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, também preso pela Lava Jato.
O senador ocupou o posto de líder do governo até ser preso em 25 de novembro. Após o episódio, ele relatou a interlocutores ter se sentido abandonado pelo pelo PT e pelo governo, que condenaram suas atitudes.
Uma conversa sua com Bernardo Cerveró, filho do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró foi gravada e entregue à Justiça. Nela, Delcídio oferecia ajuda à família e traçava um plano de fuga para o pai de Bernardo como forma de convencê-lo a não contar o que sabia sobre os esquemas de corrupção da Petrobras.
Após a prisão, Delcídio admitiu envolvimento no petrolão e fechou acordo de delaçãopremiada, implicando 74 pessoas no esquema.
Solto em 19 de fevereiro, ele pediu seguidas licenças médicas. Na semana passada, ele fez um novo pedido de licença, desta vez por cem dias, para tratar de “assuntos pessoais”.

Saiba por que Waldir Maranhão revogou ato na calada da noite

O presidente interino da Câmara, Waldir Maranhão (PP-MA), revogou o seu ato que buscava cancelar a sessão que admitiu o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff para evitar um constrangimento em plenário.
Maranhão havia convocado uma sessão extraordinária para as 8h desta terça-feira.  A expectativa era de que ele anunciasse a decisão aos colegas. Porém, líderes da maior parte dos partidos se organizaram e orientaram seus deputados  a chegarem nas dependências da Câmara somente após as 9h, para deixar Maranhão em uma situação constrangedora.
 Os líderes orientaram os deputados a não darem quórum na sessão desta terça para convocar uma sessão extraordinária no fim do dia e aprovar um recurso que revogaria a decisão de Maranhão. A análise de técnicos da Câmara era de que Maranhão estaria impedido de presidir a sessão por ser parte interessada.
Com o risco de total isolamento, o deputado revogou sua decisão na calada da noite. Resta saber se o PP, partido de Maranhão, manterá a reunião marcada para esta terça para discutir a expulsão dele do partido.

terça-feira, 10 de maio de 2016

Por que a queda de um cadeirante gerou polêmica no revezamento da tocha

A queda de um cadeirante durante o revezamento da tocha olímpica causou muita polêmica nas redes sociais, gerou um vídeo que viralizou de forma negativa com mais de 5 milhões de visualizações e causou constrangimento para João Paulo Nascimento, jogador da seleção brasileira basquete em cadeira de rodas.
O atleta de 25 anos participava do revezamento no último dia 4 em Anápolis (GO) quando caiu ao passar o fogo para outro condutor. Sem ajuda dos voluntários, ele se levantou e voltou à cadeira. Foi o suficiente para diversos comentários maldosos serem feitos em seu perfil no Facebook e pessoas começarem a questionar sua idoneidade e deficiência física. Muitos disseram se tratar de uma farsa do Comitê Organizador para emocionar o público.
A repercussão foi tamanha que João gravou um vídeo e postou em seu Facebook para esclarecer o assunto e explicar às pessoas qual era a sua deficiência. Ele tem geno valgo,  a doença do joelho em "X". As pernas não ficam alinhadas e os joelhos se aproximam, deixando os pés afastados, o que dificulta o caminhar. 
Ao UOL Esporte, o atleta mostrou-se chateado com todo o ocorrido, mas afirmou que isso serve como uma lição para as pessoas e para esclarecer que nem todo cadeirante é paraplégico ou não tem todos os movimentos da perna.
"Vejo de forma muito negativa tudo o que aconteceu e fiquei muito chateado. Tive conhecimento por meio de uma amiga da faculdade que havia recebido o vídeo e diversos comentários. Fui muito xingado nas redes sociais e tive de ler muitas coisas maldosa de pessoas que não tê conhecimento. Minha mãe ficou revoltada com tudo isso", afirmou João.
"Mas se há algo positivo nisso tudo é que serviu para as pessoas entenderem que nem todo cadeirante é paraplégico. Eu tenho este problema de geno valgo que não me permite correr ou ficar muito tempo em pé", explicou.
João defendeu a seleção brasileira de cadeira de rodas pela primeira vez em 2014 e está na expectativa de ser convocado para a disputa dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.

Filho de Waldir Maranhão recebeu mais de R$ 235 mil como fantasma do TCE…

O médico Thiago Augusto Maranhão Cardoso, filho do presidente interino da Câmara, deputado Waldir Maranhão (PP-MA), recebeu mais de R$ 235 mil como assessor de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Maranhão (TCE-MA), mesmo sem dar expediente.
O salário mensal bruto era de R$ 7,5 mil, complementado com um auxílio-alimentação de R$ 575,00 – depois reajustado para R$ 800, em março de 2014.
Houve, ainda, nos anos de 2014 e de 2015, sempre no mês de junho, recebimentos de R$ 3,75 mil. O pagamento foi identificado como “Outros”, mas deve se referir a metade do 13º salário.
Thiago Maranhão foi exonerado ontem, após repercussão nacional de seu caso…
Com informações de O EstadoMaranhão

sexta-feira, 6 de maio de 2016

Entenda o afastamento de Cunha e as dúvidas sobre o que acontece agora

Ele perde os privilégios do cargo? Haverá eleição para a chefia da Casa? Peemedebista foi tirado provisoriamente do cargo por decisão do STF.


Do G1, em São Paulo

O deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) chega para entrevista coletiva após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de afastá-lo da presidência da Câmara e suspender seu mandato (Foto: Ueslei Marcelino/Reuters)O Eduardo Cunha (PMDB-RJ) chega para entrevista coletiva após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de afastá-lo da presidência da Câmara e suspender seu mandato (Foto: Ueslei Marcelino/Reuters)
O G1 reuniu as principais dúvidas levantadas pela decisão unânime do Supremo Tribunal Federal (STF), que nesta quinta-feira (5) decidiu suspender o mandato de deputado federal de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e afastá-lo da presidência da Câmara.
Inédita e excepcional, a decisão suscitou diversas questões, algumas delas ainda sem resposta.
- Por que Cunha foi afastado da Câmara?
O peemedebista é acusado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) de usar o mandato de deputado federal e o cargo de presidente da Câmara para prejudicar as investigações da Lava Jato – ele é réu em uma ação e alvo de investigações em outras – e o processo disciplinar que responde na Comissão de Ética da Casa – que pode resultar na cassação de seu mandato.

- Quem afastou Cunha?
Primeiramente por Teori Zavascki, ministro do STF responsável por julgar os casos da Lava Jato que envolvem políticos com foro privilegiado, como é o caso de Cunha (leia a íntegra da decisão de Teori). No mesmo dia a decisão foi referendada em plenário por 11 votos a 0 pelos ministros da Suprema Corte.

- Quais recursos Cunha pode apresentar no STF?
Cunha pode apresentar um mandado de segurança e ou embargos de declaração, segundo o advogado Augusto Neves Dal Pozzo, espeicalista em direito público e administrativo. O parlamentar pode tentar suspender os efeitos da decisão de afastamento com os ambos os instrumentos.

- Quem pediu o afastamento?
O pedido analisado nesta quinta (5) foi feito pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, em dezembro. Há outros pedidos, como o do partido Rede Sustentabilidade, que alega que Cunha não pode estar na linha sucessória da Presidência da República por ser réu em uma ação penal (o presidente da Câmara assume o cargo em caso de vacância da presidente Dilma Rousseff e do vice Michel Temer).

A Rede pede que qualquer réu seja impedido de assumir a Presidência da República. Ao final da sessão desta quinta, o STF adiou o julgamento da ação. O ministro Marco Aurélio Mello, relator do caso, disse que não há mais urgência para decidir sobre o caso e lembrou que o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), não tem denúncia recebida pela Corte, embora seja formalmente investigado.
- Por quanto tempo Cunha ficará afastado da Câmara?
O afastamento vale por tempo indeterminado, até o procurador-geral e o ministro considerarem que não existe mais risco de interferência de Cunha nas investigações.

- Cunha será substituído por um suplente na Câmara?
Não, pois o mandato de Cunha foi suspenso, não cassado – apenas o plenário da Câmara tem o poder de cassar o mandato de um deputado federal. Enquanto durar a suspensão, a Casa funcionará com 512 parlamentares.

- Quem assume a Presidência da Casa durante a suspensão de Cunha?

- Waldir Maranhão fica como interino até quando?
Até o fim do mandato de vice-presidente (1º de fevereiro de 2017) ou o fim da suspensão de Cunha – o que ocorrer primeiro. Mas partidos já discutem se deve haver eleição para a Presidência da Câmara após a decisão do Supremo. PSDB, DEM, PPS e PSB já pediram novas eleições.

- Em que situação pode acontecer nova eleição para presidência da Câmara?
O regimento estabelece que, se houver vacância na mesa diretora da Câmara (da qual a Presidência da Casa faz parte) até o dia 30 de novembro do 2º ano de mandato, deve ser feita nova eleição em cinco sessões. Após esse prazo, um dos membros titulares da mesa é indicado para assumir o cargo. Mas não está claro, ainda, se a Câmara vai considerar o afastamento de Cunha pelo STF como motivo para levar a novas eleições.

- Quais benefícios ele mantém como presidente afastado?
A Câmara dos Deputados ainda avalia se irá retirar os benefícios do peemedebista como parlamentar e presidente da Casa, informou a secretaria-geral da mesa. Os benefícios são:

- Salário de R$ 33.763,00
- Foro privilegiado
- Residência e carro oficial da presidência
- Acompanhamento por equipe de seguranças
- Direito a uso de jato da Força Aérea Brasileira (FAB)
- Cota parlamentar para custear passagens aéreas, gasolina, gastos com telefone e escritório parlamentar no respectivo estado (valor varia de acordo com a unidade da federação)
- Verba de gabinete de R$ 92.053,20 para pagamento de assessores

Até o início desta sexta-feira (6), a tese mais forte era a de que Cunha deveria perder todos os benefícios, ficando apenas com o foro privilegiado (o que permite que ele continue sendo investigado pela PGR e julgado pelo STF). Mas o entendimento inicial da secretaria-geral previa que, enquanto durasse a suspensão do mandato, Cunha manteria todos os benefícios.
- O que acontece com o processo no Conselho de Ética? Quais etapas ainda faltam para o processo chegar ao plenário?
O processo continua. Aberta em 3 de novembro, a ação já dura 6 meses e é a mais longa da história da Câmara. Até o momento, 3 de 7 etapas foram concluídas: 1. apresentação do relatório preliminar; 2. votação do documento; e 3. prazo para a defesa se pronunciar.

As próximas etapas são: 4. coleta de provas e marcação de depoimentos (em andamento); 5. elaboração do parecer do relator (que pode recomendar a absolvição, censura, suspensão ou a cassação do mandato); 6. votação do parecer no Conselho de Ética; e 7. se aprovada alguma punição, o processo segue para o plenário da Câmara. A eventual cassação do mandato precisa do votos de ao menos metade dos deputados (257 parlamentares).
- Quais as acusações contra Cunha no Conselho de Ética?
O peemedebista é acusado pelo PSOL e pela Rede, autores do requerimento, de ocultar contas bancárias no exterior e de mentir sobre a existência delas, em março de 2015, em depoimento à CPI da Petrobras.

- Em caso de cassação, os processos da Lava Jato vão para Sérgio Moro?
Caso tenha o mandato cassado, Cunha perde o foro privilegiado e teoricamente os processos contra ele irão para a primeira instância – onde são julgados por Moro. No julgamento do Mensalão, no entanto, pessoas sem foro privilegiado foram julgados pelo STF.

- Em caso de cassação, há mais alguma punição a Cunha?
Além da perda do foro privilegiado, a cassação do mandado tornaria Cunha inelegível por oito anos, segundo o advogado Dal Pozzo, especialista em direito público e administrativo.

- Como fica a linha de sucessão de Dilma?
De acordo com a Constituição, a ordem de sucessão é: presidente da República, vice-presidente, presidente da Câmara, presidente do Senado e presidente do STF.

Mas não há consenso a respeito de quem seria o eventual substituto em caso de ausência de Michel Temer na hipótese de o Senado aprovar a abertura do processo de impeachment e o consequente afastamento por até 180 dias da presidente Dilma. Câmara e Senado entendem que o substituto passa a ser o atual presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).
Para a secretaria-geral da mesa da Câmara, o vice-presidente, Waldir Maranhão (PP-MA), assumiu o comando da Casa mas não foi eleito – é apenas um interino, o que em tese o impediria assumir a Presidência da República. A secretaria-geral do Senado tem o mesmo entendimento. Mas a questão ainda não foi analisada pelo Supremo e é motivo de controvérsia entre ministros da Corte.
Um ministro do Supremo ouvido pelo G1 – ele não quis se identificar porque o caso ainda pode vir a ser analisado pelo tribunal – afirmou que cabe ao presidente interino da Câmara assumir a Presidência da República na ausência de Temer.
O ex-presidente do STF Carlos Velloso tem o mesmo posicionamento. "Certamente, quem estiver no exercício legal da presidência da Câmara é quem deve assumir. A Câmara deve resolver, com base no regimento interno, quem ocupa agora o posto com a suspensão do deputado Eduardo Cunha. E essa pessoa está na linha de sucessão porque representa a instituição", disse
.

Brasília: Piquiá de Baixo assina contrato do projeto de reassentamento no Palácio do Planalto

A comunidade esteve presente em cerimônia de assinatura de contrato com a presidenta Dilma Rousseff e marcou sua reivindicação por reassentamento


Na manhã desta sexta-feira  (06), duas representantes da Associação de Moradores de Piquiá de Baixo (Açailândia – MA) assinaram contrato do projeto de reassentamento, em cerimônia do Programa Minha Casa Minha Vida Entidades, que ocorreu no Palácio do Planalto, Brasília.
A ida da comunidade à cerimônia marca a sua reivindicação urgente por reassentamento e insiste para que esse direito, garantido após anos de luta, seja assegurado por inteiro e sem demora. O projeto de reassentamento de Piquiá de Baixo foi o único do Maranhão a ser escolhido pelo Ministério das Cidades, no final de 2015.
Para Francisca Sousa Silva, a dona Tida, que foi à Brasília representar Piquiá, a ocasião marca o empenho da comunidade. “Hoje é um dia de grande importância, depois de uma luta de 8 anos a gente tá assinando um contrato juntamente com a presidente”.
 A outra representante da comunidade, Joselma Alves de Oliveira avalia esse momento de vitória como um êxito da sociedade civil organizada. “Ela [sociedade civil organizada] pode chegar muito longe, chegar a realizar o que consideravam só um sonho. A assinatura desse contrato vem para reforçar que se a gente acredita e luta, a gente conquista”.
Na última sexta-feira (29 de abril), a Associação de Moradores de Piquiá de Baixo deu mais um passo no processo de reassentamento com a assinatura junto a Caixa Econômica Federal do projeto urbanístico-habitacional da comunidade.
Sobre o Programa
O Programa Minha Casa Minha Vida Entidades foi criado em 2009, a partir de sugestões apresentadas por movimentos sociais, na Conferência Nacional das Cidades. Visa atende famílias organizadas por meio de cooperativas habitacionais, associações e demais entidades privadas sem fins lucrativos para a construção de casas populares.

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Assessoria de Comunicação
Rede Justiça nos Trilhos
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