quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Água de torneira pode conter protozoários e metais pesados, alertam especialistas

Estudos apontam os riscos da presença desses microorganismos e elementos químicos


Água da torneira é sinônimo de água potável? É sempre importante lembrar que não, e daí a importância de recorrer a filtros, purificadores e outros métodos para, assim, reforçar a segurança da água que se bebe. Protozoários como Cryptosporidium e Giardia, além de metais pesados, como chumbo, podem estar presentes na água que sai das torneiras, mesmo que esta já tenha passado por estações de tratamento. 

Os dados são de um estudo realizado por estudantes da Universidade Estadual de Santa Cruz e da Universidade Estadual de Feira de Santana, tendo como recorte o município de Canavieiras, no sul da Bahia, que apontou a presença de microorganismos. A pesquisa, publicada na revista científica "Semina: Ciências Agrárias”, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), detectou Cryptosporidium em 4,2% das amostras de água tratada e Giardia em 16,6%. Esses resultados indicam que, mesmo após o tratamento convencional, microrganismos capazes de causar infecções gastrointestinais podem chegar ao consumidor.

Bióloga e professora do IDOMED, Andrea Monteiro.

Segundo a bióloga e professora do IDOMED, Andrea Monteiro, essa contaminação pode ocorrer porque canos antigos ou danificados liberam metais como chumbo e ferro, além de permitirem o desenvolvimento e o contato com microrganismos. Andrea chama a atenção para os riscos, já que esse tipo de contaminação pode causar doenças como diarréia infecciosa, cólera e hepatite A

“É importante lembrar que, depois que a água sai da estação de tratamento, ela não é mais monitorada pela empresa, por isso é fundamental ter cuidado. Outro ponto é que o cloro usado para desinfetar a água pode gerar substâncias chamadas subprodutos, como os trihalometanos. Em grandes quantidades e ao longo do tempo, esses compostos podem causar problemas de saúde, incluindo doenças graves”, completa a bióloga.

É importante nunca baixar a guarda, pois a ausência de gosto ou cheiro não significa que a água seja segura. Contaminações por metais, produtos químicos ou microrganismos geralmente são invisíveis e não alteram o sabor de forma perceptível. Assim, mesmo que a água pareça limpa e tenha gosto normal, ela pode conter substâncias prejudiciais. O gosto costuma ser percebido apenas quando há excesso de cloro, presença de ferro (que confere sabor metálico) ou contaminação por matéria orgânica, capaz de provocar gosto e odor desagradáveis. Já contaminantes mais perigosos, como pesticidas, microplásticos ou bactérias, normalmente não alteram o sabor.

SINTOMAS

A professora do IDOMED explica que, quando alguém consome água contaminada, os sinais variam conforme o tipo de contaminação. Se a água estiver contaminada por microrganismos, os sintomas mais comuns são diarreia aquosa ou com sangue, náusea, vômito, cólicas abdominais, febre, fadiga e sinais de desidratação.

Algumas doenças específicas podem ocorrer, como a cólera, que provoca diarréia intensa e desidratação rápida, ou infecções por parasitas como Giardia e Cryptosporidium, que causam diarreia persistente, gases e dor abdominal. Nos casos de hepatite A ou E, os sinais incluem pele e olhos amarelados (icterícia), dor na parte superior do abdômen e cansaço extremo. Quando a contaminação ocorre por produtos químicos ou metais pesados, os sintomas podem surgir rapidamente, com dor abdominal, vômito e náusea.

O QUE FAZER?

Andrea cita algumas ações que reforçam a segurança no consumo. A primeira medida recomendada é a fervura da água, um método universalmente aceito, de baixo custo e altamente eficaz na eliminação de bactérias, vírus e protozoários. Basta ferver a água por 1 a 3 minutos antes do consumo, conforme orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS). Embora não remova contaminantes químicos, essa prática continua sendo fundamental em contextos vulneráveis.

Outra alternativa viável é a cloração caseira, com o uso de hipoclorito de sódio, disponível em farmácias ou distribuído por programas públicos. A aplicação correta (geralmente duas gotas da solução a 2,5% por litro de água, com repouso de 30 minutos) garante a eliminação da maioria dos microrganismos, embora seja menos eficaz contra parasitas resistentes, como o Cryptosporidium. Essa prática é recomendada pelo Ministério da Saúde, especialmente em áreas com saneamento precário.

Além dessas medidas, também é indicado o uso de filtros de barro com vela cerâmica, amplamente utilizados no Brasil. Quando empregados corretamente, esses filtros podem atingir níveis de remoção de bactérias superiores a 90%, garantindo segurança no consumo diário.


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