terça-feira, 30 de junho de 2026

"Onda azul", "fraude", Venezuela: a visita de Flávio Bolsonaro à Argentina

 

Javier Milei e Flávio Bolsonaro

Javier Milei e Flávio Bolsonaro

Reprodução/X@OPRArgentina


O encontro entre o senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), e o presidente argentino, Javier Milei, nesta segunda (29), rendeu troca de afagos entre os dois nas redes sociais. "A onda azul está chegando no Brasil", postou o argentino.

Flávio Bolsonaro falou ao UOL sobre o encontro. "Conversamos um pouco sobre essa onda azul que está tomando conta da América do Sul, da América Central. [...] Fizemos uma análise sobre o que aconteceu no Peru, na Colômbia e na Argentina." Assista à entrevista completa aqui.

A colunista Janaína Figueiredo analisa que Milei lidera a "onda azul" no continente, mas que o custo social para a Argentina tem sido brutal. Ela lembra que o presidente argentino reduziu o déficit fiscal e controlou a inflação - não a eliminou -, mas hospitais, universidades e escolas do sistema público têm sofrido o impacto. "A receita de Milei é simples: quem puder se adaptar e crescer, ótimo; quem não, boa sorte", pontua.

Em outra agenda em Buenos Aires, Flávio Bolsonaro discursou em um evento da comunidade judaica global alinhada com governos de direita no mundo. Na ocasião, referiu-se a si mesmo como a peça que falta no tabuleiro da direita sul-americana e ironizou a esquerda peruana que, ao ser derrotada pela direitista Keiko Fujimori, "gritou 'fraude' sem apresentar provas".

Para Josias de Souza, o orador de Buenos Aires destoa do Flávio Bolsonaro que discursou, em março, numa conferência trumpista, no Texas (EUA). Na versão texana, lembra Josias, Flávio deu a entender que houve fraude na contagem de votos que deu vitória a Lula em 2022. "Flávio não consegue se dissociar completamente da fuligem retórica do pai", diz.

Já a colunista Carla Araújo comenta as declarações do senador sobre a Venezuela. Para ela, Flávio cometeu uma indelicadeza com o povo venezuelano ao dizer que "dias melhores virão" ao citar o contexto político local, ignorando a situação do país após os terremotos que deixaram cerca de 1.700 mortos e 50 mil desaparecidos.

"É impossível falar em dias melhores. Claro, ele estava falando da situação política, mas é impossível dissociar. A situação política na Venezuela é muito ruim, a situação humanitária é pior ainda", diz.

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