segunda-feira, 6 de julho de 2026

7 fatos que explicam a eliminação do Brasil na Copa do Mundo de 2026

 

A eliminação brasileira na Copa do Mundo de 2026 nas oitavas de final, pior campanha desde 1990, foi construída em um ciclo tumultuado, com vários treinadores e Carlo Ancelotti assumindo pouco mais de um ano antes do Mundial, sem tempo para formar um time ideal a recorrendo a jogadores veteranos de uma geração que vai encerrar a passagem pela seleção com mais um fracasso.

O Estadão elencou sete motivos para a desclassificação precoce para a Noruega, na derrota por 2 a 1 neste domingo, 5, no MetLife Stadium, em East Rutherford, Nova Jersey.

Haaland deitou e rolou contra a defesa brasileira na Copa. Foto: Werther Santana/Estadão

1) Ciclo confuso: quatro técnicos e caos na CBF impediram a construção de um projeto

O Brasil chegou à Copa sem um trabalho consolidado. Desde a saída de Tite, após a Copa de 2022, a seleção passou por quatro treinadores e conviveu com uma sucessão de crises políticas na CBF, incluindo trocas na presidência. Passaram pelo Brasil dois interinos, Ramon Menezes e Fernando Diniz, que se dividiu entre o Brasil e o Fluminense, e Dorival Júnior antes de Carlo Ancelotti assumir, em maio de 2025.

Cada treinador teve ideias diferentes sobre modelo de jogo, convocações e hierarquia do elenco. Enquanto isso, rivais como Argentina, França e Espanha mantiveram projetos de longo prazo.

2) Renovação incompleta: aposta em veteranos e pouca consolidação da nova geração

Ancelotti optou por manter a base de jogadores experientes, muitos deles próximos do fim do ciclo em Copas do Mundo, ao mesmo tempo em que a nova geração ainda não havia assumido completamente o protagonismo. O resultado foi um elenco em transição. Em vários momentos da Copa, a seleção pareceu depender de jogadores que já não viviam seu auge técnico, como Casemiro, Danilo, Marquinhos e Neymar, enquanto promessas importantes ainda não estavam prontas para decidir.

3) O craque não decidiu: Vini Jr. perdeu protagonismo quando era mais preciso

Vinícius Júnior iniciou a Copa em grande fase e era apontado como o principal candidato a liderar o Brasil rumo ao hexacampeonato. Fez quatro gols nas quatro primeiras partidas, participou de outros gols, e mesmo contra o Japão, sem marcar ou dar assistência, teve participação decisiva na virada por 2 a 1. Diante da a Noruega, entretanto, não cobrou o pênalti no primeiro tempo, e apesar de alguns bons dribles, não decidiu. Aos 25 anos, ainda pode ter mais duas Copas em alto nível, se quiser.

4) Lesões diminuíram o potencial ofensivo da seleção

A preparação e a campanha foram marcadas por problemas físicos. Estêvão já ficou fora antes do Mundial, um jogador jovem e que seria titular de Ancelotti. Outra perda foi Eder Militão, zagueiro que era a primeira opção para a lateral direita. Sem ele, Carletto convocou Wesley, que se machucou e foi cortado, e acabou precisando escalar o veterano Danilo, em final de carreira.

Durante a competição, Raphinha sofreu lesão e desfalcou a equipe. Lucas Paquetá também ficou fora da eliminação para a Noruega por problema físico, reduzindo as alternativas de criação no meio-campo.

5) Falta de definição nas cobranças de pênaltis expôs falha de planejamento

A disputa contra a Noruega evidenciou que não estava claro quem era o principal cobrador de pênaltis, alguns dos especialistas permaneceram no banco durante boa parte da partida e Bruno Guimarães assumiu uma cobrança decisiva e desperdiçou. Ancelotti explicou que as estatísticas definiram uma ordem de cobradores, mas os três principais estavam no banco no momento da cobrança no primeiro tempo.

6) Bola parada voltou a ser um problema e custou caro diante de Haaland

O Brasil voltou a sofrer em uma deficiência recorrente: a bola aérea defensiva. A seleção também praticamente não aproveitou escanteios e faltas ofensivas durante toda a Copa e, do outro lado, acabou sendo castigada justamente nesse fundamento. Haaland abriu o placar de cabeça, explorando uma falha na marcação de Gabriel Magalhães.

Ancelotti falava durante a semana que havia certa preocupação com a falta de gols marcados em jogadas de bola parada, após escanteios ou faltas laterais, mas que as jogadas estavam sendo ensaiadas e que esperava uma melhora. Não deu tempo.

7) A convocação de Neymar machucado

O camisa 10 jamais havia sido chamado por Carlo Ancelotti, mas apareceu na relação final após conseguir, de fato, uma boa sequência de partidas pelo Santos próximo da convocação. O problema é que ele se machucou no dia anterior à lista ser anunciada. Entre informações desencontradas sobre a gravidade da lesão, Neymar se apresentou e, mesmo machucado mais gravemente do que se imaginava, foi mantido no elenco, em vez de ser cortado e dar a chance para a inclusão de um atleta mais saudável.

Mesmo recuperado do problema na panturrilha direita, o jogador não conseguiria atuar 90 minutos se necessário, por exemplo, o que evidenciou mais uma falha de planejamento.



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