Farmacêutica alerta para riscos e traz recomendações sobre o que fazer com esses itens de forma segura
O ato de jogar um medicamento vencido ou que não será mais utilizado em lixo comum, pia ou vaso sanitário parece inofensivo, mas a verdade é que traz impactos negativos para a saúde pública e meio ambiente. Isso porque substâncias químicas podem contaminar o solo, rios e lençóis freáticos, afetando organismos aquáticos e até retornando ao consumo humano de forma indireta. As campanhas e ações de conscientização têm surtido efeito, uma vez que, de acordo com a Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias, as redes farmacêuticas do país descartaram mais de 1 mil toneladas de medicamentos domiciliares vencidos ou em desuso no ano de 2025. Ainda assim, o alerta dos especialistas se mantém com foco em ampliar o descarte adequado desses produtos.
A forma correta de descarte é levar medicamentos vencidos, sobras ou em desuso a pontos de coleta específicos, como farmácias, drogarias ou locais participantes de programas de logística reversa. A professora do curso de Farmácia da Wyden, Ceres Batista, endossa que o ideal é manter os medicamentos nas embalagens originais, quando possível, e entregá-los nos locais habilitados para destinação ambientalmente adequada. “O descarte incorreto favorece a intoxicação acidental de crianças, idosos e animais domésticos, bem como o uso indevido de medicamentos vencidos ou abandonados. Sem contar que o descarte errado de antibióticos pode aumentar a resistência bacteriana, um problema grave de saúde pública”, alerta.
Com relação ao descarte das caixas em que vêm os remédios, a farmacêutica Ceres ressalta que se a embalagem de papelão (caixa externa) estiver limpa e sem resíduos do medicamento “pode ser descartada na coleta seletiva de papel desde que a caixa seja rasgada para evitar que a equipe que coleta não se confunda e tenha a certeza de que ali não há resíduos químicos”, pontua. Ela complementa que “os frascos, blisters, ampolas, cartelas e embalagens que tiveram contato direto com o medicamento devem, preferencialmente, ser descartados junto aos medicamentos nos pontos de coleta, principalmente quando ainda possuem resíduos. A bula pode ser reciclada, caso esteja limpa”, pontua.
Outro ponto de atenção é que guardar medicamentos vencidos em casa traz vários riscos. O principal é o uso acidental, especialmente por crianças, idosos ou pessoas que fazem automedicação. “Nessas condições, o medicamento pode apresentar redução da eficácia terapêutica e, em alguns casos, alteração química, comprometendo sua segurança. Por isso, é importante revisar periodicamente a ‘farmacinha’ doméstica e realizar o descarte correto dos produtos vencidos ou sem uso”, orienta Ceres.

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