sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Relator prevê ampla maioria pelo fim da escala 6x1, mas prazo é apertado

 

Senador Omar Aziz (PSD-AM), relator da PEC do fim da escala 6x1

Senador Omar Aziz (PSD-AM), relator da PEC do fim da escala 6x1

Reprodução/TV Senado


Asdrúbal Figueiró

O senador Omar Aziz (PSD-AM) apresentou hoje o relatório da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que acaba com a escala 6x1. Aziz rejeitou as emendas, a maioria delas apresentada pela oposição, e não fez alterações no texto aprovado pelos deputados, para evitar que o projeto tenha de voltar à Câmara.

O texto deve ser votado já na próxima quarta-feira, na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado, e o governo quer a aprovação pelo plenário até sexta-feira, dia 4 de setembro, último dia de funcionamento do Congresso antes das eleições de outubro.

Ontem, o presidente Lula recebeu em almoço os presidentes do Senado, David Alcolumbre, e da Câmara, Hugo Motta. No encontro, ficou acertado que Alcolumbre e Motta tentariam aprovar, além da PEC do fim da escala 6x1, a MP das Blusinhas, que isenta do imposto de importação compras de até US$ 50 feitas em plataformas de empresas que aderiram ao programa Remessa Conforme. Se não for aprovada, a MP expira no próximo dia 8.

Em entrevista ao UOL News, do Canal UOL, Aziz disse que a PEC do fim da escala 6x1 deve ser aprovada por uma "ampla maioria" no plenário.

"Nunca recebi um telefonema de nenhum senador e de nenhuma senadora dizendo que é contra. Os telefonemas que eu recebi todos são favoráveis a reduzirmos a jornada de trabalho", disse Aziz.

Leonardo Sakamoto concorda com a avaliação do senador.

Para o colunista do UOL, se for ao plenário, a PEC "será ratificada porque é ano eleitoral e os senadores, mesmo os contrários à medida (apoiada por 70% da população), não são suicidas".

Na sua avaliação, o fim da escala 6x1 não é uma medida isenta de desafios econômicos, mas Sakamoto critica o que chamou de "guerra" de setores da sociedade contra a medida, que, segundo ele, "recicla o terror usado contra a Lei Áurea e o 13º salário".

A reaproximação entre Lula, Motta e Alcolumbre, que permitiu o avanço da PEC, é vista pela colunista da Folha de S. Paulo Dora Kramer como "um pacto de conveniências mútuas".

"O presidente da República precisa do apoio do centrão para se reeleger. O deputado Hugo Motta necessita do prestígio de Lula em terras paraibanas para levar o pai ao Senado, garantir sua vaga na Câmara e se aliar a Alcolumbre na aposta de que Lula reeleito sustente a recondução dos dois ao comando do Parlamento, em fevereiro de 2027."

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