sábado, 26 de setembro de 2026

GUERRA SANTA: Polêmica envolvendo Flávio e Nossa Senhora viraliza e chega à Justiça

 

Nossa Senhora Aparecida, a padroeira do Brasil

Nossa Senhora Aparecida, a padroeira do Brasil

Shutterstock.com


Asdrúbal Figueiró

A campanha de Flávio Bolsonaro pediu à PGE (Procuradoria-Geral Eleitoral) que abra uma investigação sobre a origem das postagens nas redes sociais que fazem menção a um suposto temor de setores da Igreja Católica de que, se eleito, o candidato retiraria de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil.

A informação é das colunistas do UOL Marcela Mattos e Letícia Casado.

Ontem, em vídeo publicado nas redes sociais, o candidato disse que "isso é uma grande mentira. Não tem pé nem cabeça. Não existe esse projeto". Hoje, ele voltou ao tema e aproveitou para criticar Lula.

"Respeito todas as religiões. Jamais vou falar para a Igreja Católica a forma que os padres têm ou não que induzir a sua Igreja Católica. Isso não é papel do Estado se meter na igreja, como o Lula faz."

Contexto

As postagens na internet interpretavam recentes declarações de bispos e uma mensagem da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), vistas como favoráveis a Lula, como uma reação à declaração de Flávio Bolsonaro de que um de seus primeiros atos, se eleito, seria "decretar que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo".

Flávio Bolsonaro é evangélico e recebe o apoio de líderes da maioria das denominações evangélicas, que não atribuem à Nossa Senhora o mesmo status de santa reconhecido pela tradição católica.

O assunto começou a circular nas redes sociais há alguns dias e as menções dispararam depois que a jornalista Maria Cristina Fernandes o citou na Globo News ontem à noite.

Horas depois, em uma nota editorial, a GloboNews pediu "desculpas pelo erro", dizendo que o projeto para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil foi apresentado em 2007 e arquivado em 2008.

O autor da proposta foi o então deputado federal Victorio Galli (PP-MT), que foi nomeado assessor especial da Presidência em 2019, durante a gestão de Jair Bolsonaro.

Repercussão

Segundo um levantamento da Palver, o tema disparou nas redes sociais e nos grupos de mensagens entre a noite de ontem e hoje. Até o meio da tarde, a empresa de monitoramento registrou 735 menções para cada 100 mil mensagens, ante 40 nos dias anteriores.

No final da tarde, a pedido de Flávio Bolsonaro, André Mendonça mandou o humorista apagar uma postagem em que acusava a "família miliciana" de atacar Nossa Senhora. A lista com o endereço dessa e de outras postagens sobre o assunto que deveriam ser removidas das redes ocupa 45 páginas da decisão.

Para Leonardo Sakamoto, ao mandar Antonio Tabet apagar a publicação, André Mendonça "acabou assumindo que a 'família miliciana' se refere a Flávio Bolsonaro".

"O mais doido nessa história é que o ministro André Mendonça assume que 'família miliciana' é a do Flávio Bolsonaro. Eu estava lendo aqui a decisão. No item 8 do texto, ao afirmar que a família do representante resolveu atacar Nossa Senhora Aparecida, a postagem não se limita a formular juízos abstratos."

O próprio humorista foi às redes para "repudiar" a decisão de Mendonça e disse que, em nenhum momento, citou Flávio Bolsonaro.

"A principal (mas não única) fragilidade jurídica da decisão reside na presunção de que uma crítica genérica teria um destinatário certo, referendando um curioso fenômeno de autoidentificação."

Na opinião de Thais Bilenky, a polêmica é um "factoide inventado", que foi instrumentalizado "muito rapidamente pelo bolsonarismo nas redes sociais."

O colunista do UOL e teólogo Ronilso Pacheco diz que mexer com a imagem de Nossa Senhora Aparecida seria um "suicídio político" e vê a história com "cara de boato".

"Logo assim que eu vi a repercussão, já me surgiu como uma fake news. Teria de ser muita loucura para fazer uma proposta como essa. (...) É tão absurda que ela já nasce sendo uma fake news, a menos que fosse um suicídio político."

Para Matheus Pichonelli, a "guerra religiosa demorou, mas chegou chegando na campanha de 2026 e não tem hora para acabar".

"A confusão (...) certamente vai forçar Flávio a reforçar o aceno ao eleitorado católico, que entre o primeiro e o segundo turno celebra o feriado de Nossa Senhora em 12 de outubro."

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