Pesquisa Datafolha divulgada hoje mostrou Flávio Bolsonaro com 47% das intenções de voto, ante 45% de Lula. Na semana passada, o candidato do PL tinha 49%, e o petista, 45%. A margem de erro é de dois pontos percentuais. O resultado está em linha com outros levantamentos divulgados nesta semana, que mostram diferenças entre um e dois pontos percentuais entre os candidatos, dentro das margens de erro. Mais cedo, a pesquisa da Palver apontou Flávio Bolsonaro com 50% das intenções de voto totais, ante Lula com 49%. A margem de erro é de 2,3 pontos percentuais para mais ou para menos. Na semana passada, a maioria das pesquisas dos principais institutos mostrava uma diferença numérica de pelo quatro pontos percentuais entre os candidatos. A redução da diferença ocorre após grandes manifestações de rua em apoio a Lula e uma série de anúncios do governo de benefícios para a população. Segundo levantamento do UOL, o "pacote de bondades" do governo depois do primeiro turno já soma R$ 25,8 bilhões. Ontem à noite, o Congresso aprovou uma das principais bandeiras de campanha do petista: o fim da escala 6x1, com a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais em até dois anos. Na opinião de Josias de Souza, Lula é indiscutivelmente o principal beneficiário da aprovação do fim da escala 6x1, mas o presidente não pode ser considerado o pai da proposta, de autoria da deputada Erika Hilton, do PSOL. Segundo Josias, havia um projeto similar no Congresso desde 2019, mas o governo o ignorou até que o assunto ganhasse força graças a um vídeo publicado nas redes sociais em 2023 pelo atual vereador Rick Azevedo (PSOL-RJ), recém-eleito deputado federal. "Lula embarcou nessa com algum oportunismo eleitoral". O avanço da agenda eleitoral de Lula obrigou a campanha de Flávio Bolsonaro a redirecionar sua estratégia nesta semana para a reta final do segundo turno, informa Letícia Casado. "Ele mudou de posição em relação à PEC que propõe o fim da escala e recuou da decisão de não participar do debate da Band marcado para domingo." Segundo Mano Ferreira, a mudança de posição de Flávio Bolsonaro, que votou a favor da PEC do fim da escala 6x1, pode ter sido apenas um recuo tático e temporário. "O mercado acredita que, caso eleito, Flávio vai retomar a proposta do senador Rogério Marinho, que seria uma PEC de hora trabalhada que, na prática, um pouco esvaziaria essa aprovação da PEC da jornada 6x1." Para José Paulo Kupfer, a redução da jornada "pode fazer o país e seu mercado de trabalho avançarem sem grandes solavancos na direção de sociedades e economias mais modernas e solidárias." Kupfer admite que, se por um lado há benefícios para o trabalhador, por outro lado "é intuitivo que tal medida tende a encarecer custos de trabalho." Ele lembra, porém, que não é a primeira vez que isso ocorre no Brasil. A Constituição de 1988 já havia reduzido a jornada de 48 para 44 horas, e, segundo Kupfer, estudos indicam que a mudança não provocou aumento do desemprego, perdas salariais ou pressões inflacionárias relevantes. |
Nenhum comentário:
Postar um comentário