O ministro Alexandre de Moraes teve pelo menos 316 interações com Daniel Vorcaro nos dois meses anteriores à prisão do ex-banqueiro. A informação foi levantada a partir de registros do celular do ex-dono do Banco Master pelos colunistas do UOL Cézar Feitoza, Natália Portinari e Fabio Serapião. O material expõe pela primeira vez respostas de Moraes a Vorcaro. "Obrigado amigo. Nem dá pra perceber que não sou eu rsrs", escreveu Moraes em uma legenda de imagem enviada a Vorcaro em 24 de outubro de 2025. Até então, apenas 52 mensagens enviadas por Vorcaro a Moraes por meio de prints de textos escritos no bloco de notas tinham chegado ao conhecimento público, em um relatório da PF produzido a pedido do ministro André Mendonça. São classificadas como interações mensagens, fotos, chamadas, ligações perdidas e outros avisos do sistema. O ministro Alexandre de Moraes e a defesa de Vorcaro foram procurados, mas não se manifestaram. Em outro desdobramento das investigações, o empresário Leonardo Serrano afirmou à Polícia Federal que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro custeou viagens e hospedagens de luxo para o senador Ciro Nogueira (PP-PI), ex-chefe da Casa Civil no governo de Jair Bolsonaro. Ciro é investigado na Operação Compliance Zero, que apura fraudes envolvendo o Banco Master. A PF suspeita que ele recebeu vantagens indevidas para ajudar Vorcaro com projetos no Congresso. O olhar dos colunistas Para Josias de Souza, as mensagens trocadas entre Vorcaro e Moraes "revelam uma intimidade radioativa. Indicam, por exemplo, que os dois combinaram um encontro três dias antes da prisão de Vorcaro." O colunista lembra que Alexandre de Moraes não é o único ministro do Supremo suspeito de relações impróprias com o ex-banqueiro e diz que Fachin já deve ter percebido que não adianta mais "empurrar o lixo para debaixo do tapete". "Sem uma limpeza, a própria instituição vira parte da sujeira." Leonardo Sakamoto afirma que Moraes precisa dar explicações, assim como os demais ministros mencionados direta ou indiretamente em mensagens encontradas no celular do banqueiro e de outros investigados: André Mendonça, Dias Toffoli, Kassio Nunes Marques e Luiz Fux. "Nenhum desses nomes está acima de uma pergunta simples: o que o dono de um banco criminoso esperava receber em troca de tanta gentileza?" |
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