quinta-feira, 5 de novembro de 2026

Derrota trumpista. Fora o baile.

 

Arte: Marcelo Chello

Foi uma derrota tão grande sofrida pelos Republicanos nos Estados Unidos, nas eleições de meio de mandato, que nem nosso querido orange Donald J. Trump (J de João, juro) conseguiu alegar fraude desta vez. Só restou a ele fazer a egípcia e falar hoje do seu salão de baile. Foi uma derrota (ou vitória, depende do ponto de vista) do tipo “nunca antes na História”. Os entendidos já dizem que o que aconteceu nos Estados Unidos é uma continuação do que começou no Brasil: um cansaço da extrema direita. Se segura, BRASEW.

O Flavitcho neste momento deve estar pensando o que ele foi fazer nos Estados Unidos logo agora. Tão mais fácil ter ido para a Argentina.

Donald J. Trump saiu enfraquecido das eleições pois os Democratas ganharam o Senado e a Câmara dos Representantes (vulgo Câmara dos Deputados). Ganharam grande. “Foi um tsunami eleitoral: um colapso completo da coalizão republicana e a maior vitória de qualquer partido em meio século”, escreveu Nate Cohn, analista de política do New York Times.

E o que é ainda pior para os Republicanos é que os Democratas venceram em estados que há décadas eram dominados por eles. Casos do Texas e do Kansas. “E eles não apenas conseguiram vitórias — ganharam grande, inclusive por *dois dígitos* no Texas”, disse Nate.

Mas o que que deu?

Muito tarifaço, muito ICE (a polícia migratória prendendo quem visse pela frente), muita inflação, muita guerra, muita suspeita de corrupção. Estima-se que Trump tenha ganhado US$ 2 bilhões neste mandato, seja nas criptomoedas, seja negociando ações com informação privilegiada, afinal ele é o presidente. E assim ele foi perdendo votos dos jovens, dos hispânicos e por aí vai.

A corrupção foi um grande tema por lá e por isso mesmo já tem gente dizendo que um outro senador reeleito na Geórgia, Jon Ossoff, que foi quem melhor usou esse discurso, começa a despontar como um possível candidato a presidente.

E as urnas mostraram também que querem diversidade. Foi eleito o primeiro senador muçulmano, o primeiro homem declaradamente gay eleito senador, a primeira governadora indígena, a primeira governadora mulher negra e por aí vai.

Uma curiosidade. Na última década, o Brasil reproduzia o que acontecia nos Estados Unidos. Trump ganhou em 2016, Bolsonaro ganhou em 2018. Trump perdeu em 2020 e fez o 6 de janeiro. Bolsonaro perdeu em 2022 e fez o 8 de janeiro. Trump ganhou em 2024, mas daí o Lula virou e tirou o Flavitcho Bolsonaro em 2026. Aí a virada seguiu para os Estados Unidos.

Há quem analise que agora está como o Trump gosta, vai dobrar a aposta e brigar com gosto com o Congresso. Pode ser. Mas hoje ele chamou a imprensa para falar do seu salão de baile. Sim, Trump está reformando o salão de baile.

O DJ Vance, digo, JD Vance, que é o vice-presidente, já correu a dizer que a culpa era da guerra do Irã. Ele sempre foi contra a guerra do Irã e inclusive recomendou fortemente a Trump que não fosse para essa guerra, que os EUA não tinham nem armas suficientes. Imagina se alguém vai querer apoio do Trump nas próximas eleições… Vale notar que Trump até disse que pode ser que tenha sido a guerra, mas que ele não se arrependia. E que o problema mesmo era que a foto dele não estava nas cédulas dessa votação.

Os Republicanos já disseram que foi culpa do governo Trump (ah, vá). Como eu disse mais acima, tarifaço, ICE, guerra e otrascositasmas.

O Bibi

Um dos articuladores da guerra foi Benjamin Netanyahu, conhecido como Bibi, amigo da extrema direita mundial e que levou Trump para o combate armado no Irã (foi tanto empenho que chegou a dar declarações de que Trump merecia o Nobel da Paz). Mas nem o Bibi está conseguindo vencer as suas próprias eleições. Lá em Israel existe o regime do parlamentarismo, então não basta ter mais votos, precisa formar governo com os outros partidos. Até agora ninguém conseguiu a proeza. Já tem mais de uma semana e nada ainda do resultado.

Voltemos para o BRASEW.

Nenhum comentário: