sábado, 12 de setembro de 2026

Deputado Federal Duarte Jr abre o verbo sobre os escândalos do STF no caso Banco Master. VEJA O VÍDEO!!!

 "Minha independência moral não tem lado”: Duarte Júnior amplia cobranças no caso Master,



O deputado federal Duarte Júnior chamou atenção, em vídeo publicado nas redes sociais, para novos elementos envolvendo o caso Banco Master e integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF). Depois das revelações relacionadas ao ministro Alexandre de Moraes, o parlamentar afirma que mensagens encontradas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro levantam questionamentos também sobre uma relação anterior entre Vorcaro e o ministro André Mendonça, atual relator das investigações envolvendo o banco no Supremo.

Segundo o relato apresentado por Duarte, mensagens atribuídas ao advogado Ciro Rocha Soares indicariam uma tentativa de aproximação entre Vorcaro e Mendonça antes de o ministro assumir a relatoria do caso. Em fevereiro de 2025, conforme a narrativa do deputado, o advogado teria enviado ao banqueiro uma fotografia ao lado de Mendonça, acompanhada da mensagem “Trabalhando por você”. No mês seguinte, Vorcaro e o ministro se encontraram no instituto criado por Mendonça, em São Paulo. O próprio ministro, segundo Duarte, confirmou posteriormente a realização do encontro, afirmando que aquela teria sido a única reunião entre os dois.

Para Duarte Júnior, a cronologia dos acontecimentos exige esclarecimentos. Após esse contato, André Mendonça tornou-se relator das investigações do Banco Master no STF e Vorcaro voltou a ser ouvido no âmbito do processo. O deputado também destacou que a oitiva ocorreu no gabinete do ministro, com participação de integrantes do Ministério Público, mas sem a presença da Polícia Federal. No decorrer das investigações, ainda surgiram elementos relacionados a Alexandre de Moraes, enquanto a Procuradoria-Geral da República teria apresentado questionamentos sobre parte da condução do caso.

Diante desse cenário, Duarte sustenta que a questão central agora é saber se relações mantidas antes da relatoria tiveram alguma influência sobre a condução posterior das investigações, algo que, por si só, não pode ser concluído apenas pela existência dos encontros mencionados. Para o deputado, porém, a sucessão de episódios envolvendo Daniel Vorcaro, Banco Master, Polícia Federal, PGR e ministros do STF justifica respostas públicas e esclarecimentos sobre a atuação das instituições. “A gente precisa de resposta”, afirmou Duarte ao encerrar o vídeo, defendendo transparência diante de um caso que alcançou o centro do Judiciário brasileiro.


ELEIÇÕES 2026: Aluísio realizou mega caminhada na Vila Ildemar nesta sexta-feira, dia 11.


Na tarde desta sexta-feira (11), o candidato a deputa estadual
Aluísio reuniu milhares de apoiadores em uma grande caminhada pelas ruas da Vila Ildemar. O evento, marcado pela presença de moradores, lideranças comunitárias e simpatizantes, transformou-se em uma verdadeira demonstração de força política e proximidade com a população local.

Durante o percurso, Aluísio acompanhado do prefeito Dr. Benjamim de Oliveira, secretários municipais e vereadores, cumprimentou comerciantes, conversou com famílias e destacou propostas voltadas para melhorias na infraestrutura, saúde e educação da região. A caminhada foi acompanhada por faixas, bandeiras e muita animação dos participantes, que reforçaram o clima de engajamento popular.


Segundo organizadores, a mobilização na Vila Ildemar representa um marco importante na campanha, consolidando o apoio de uma das maiores comunidades da cidade.

Flavitcho é investigado por lavagem, corrupção e otrascositasmas

 

Arte: Marcelo Chello

No meio da guerra suprema, chegou a hora e a vez de Flavitcho Bolsonaro. Agora ele não pode mais dizer que não é investigado, como gostava de dizer. Ele não só é investigado por suspeita de corrupção, lavagem de dinheiro e otrascositasmas no caso do financiamento do filme Dark Horse, como quem autorizou a investigação foi o supremo terrivelmente evangélico e bolsonarista, André Mendonça. Flavitcho defendeu a transparência. O eleitor deveria cobrar o básico que o próprio Flavitcho prometeu um dia, mas nunca cumpriu, que era o de revelar tintim por tintim o que foi feito com a dinheirama enviada ao fundo Havengate nos Estados Unidos para ser usado no tal filme.

Mas o Dark Horse é só uma faceta das notícias da guerra suprema nesta sexta-feira. O supremo-mor Edson Fachin determinou a quebra completa dos sigilos. O supremo André Mendonça se fez de louco e abriu só parte dos sigilos. Foi quando descobrimos enfim que havia uma investigação formal contra Flavitcho. Mas a procuradoria geral alertou Fachin que Mendonça abriu só parte do sigilo. Fachin fez nova cobrança e agora neste momento em que estamos te escrevendo, novos casos estão sendo abertos: Dark Horse, Ciro Nogueira, Jaques Wagner, Cláudio Castro. Além disso, os ministros supremos protagonizaram um dia agitado com ofício daqui e ofício de lá para tentar adiar o julgamento do Xandão. Mas ainda teve o caso da revista piauí, que teve acesso ao relatório da Polícia Federal que mostra as relações nada republicanas e a suspeita de que o supremo Dias Toffoli tenha inclusive dinheiro em paraísos fiscais, pagos por Vorcaro.

Para tentar explicar de um jeito que dê para entender algo, porque nem a gente sabe se entendeu, vamos dividir o éNoite de hoje em “momentos”.

O momento Dark Horse

Com base nos arquivos que se tornaram públicos hoje, ficamos sabendo que o supremo André dos Céus Mendonça autorizou no dia 22 de julho a abertura do inquérito para investigar o financiamento dado por Vorcaro, a pedido de Flavitcho Bolsonaro, para o filme Dark Horse (o que conta a história de Jair Bolsonaro). Desde aquele dia, Flavitcho costuma dizer que é apenas dinheiro privado para um filme privado. O problema é que Flavitcho é senador da República, que pediu dinheiro para um banqueiro que usou dinheiro público de fundos de pensão e do BRB para tentar salvar seu banco que estava quebrado. Além disso, Vorcaro é acusado de pagar políticos, especialmente da direita, seja em dinheiro, seja em festas com mulheres russas, suecas e sei lá mais de onde. Então era um dinheiro suspeito para um senador da República.

Mas o caso piora. O dinheiro não saiu do banco Master para uma conta do filme Dark Horse. O dinheiro era do Vorcaro, mas saiu de uma empresa do grupo chamada Entre para ser enviado ao exterior para um fundo chamado Havengate, que foi criado pelo advogado de imigração de Dudu Bolsonaro que vive nos EUA, fugindo da Justiça brasileira. A saída do dinheiro (e estamos falando de mais de R$ 60 milhões) já foi feita de um jeito pouco usual. Suspeito. E depois? Não se sabe. Até hoje, Flavitcho não apresentou o balanço do fundo. Na época em que foi pego no flagra mandando mensagens para Vorcaro, Flavitcho prometeu que era questão de tempo para mostrar como o dinheiro tinha saído do fundo para financiar o filme. Até hoje ele não mostrou esse balanço.

Aí hoje, ele voltou a dizer que quer mesmo que tudo seja transparente.

Além desse financiamento de Vorcaro, a polícia também investiga o uso de emendas parlamentares do deputado federal Mário Frias para o financiamento do filme. Existe a suspeita que dinheiro das emendas foi repassado para ONGs ligadas à produtora do Dark Horse.

Então são duas frentes de investigação. Uma comandada pelo supremo André Mendonça e outra nas mãos do supremo Flávio Dino. Além disso, a Polícia Federal afirma que Dudu Bolsonaro foi quem orientou como os recursos seriam geridos nos States. A suspeita é que foi um “financiamento ilícito” para produção de um filme.

O momento Toffoli

A crise suprema não começou agora. Ela começou mesmo quando os ministros supremos se reuniram em sala fechada e resolveram esculachar um relatório da Polícia Federal que dava conta de que o então relator do caso do Banco Master, o supremo Dias Toffoli, tinha relações inapropriadas com o dono do banco. Uma reportagem da revista piauí, divulgada no fim da noite de ontem, mostra que a polícia suspeitava que Toffoli tinha dinheiro em paraísos fiscais decorrentes da venda de parte do resort Tayayá para Vorcaro.

Naquela reunião, os ministros supremos pouparam o supremo Toffoli (famoso, passaram pano). Ele saiu dali ainda relator do caso Master e só depois de alguns dias se autodeclarou suspeito e saiu da relatoria. Foi quando o processo foi redistribuído e caiu nas mãos do supremo André dos Céus, digo, Mendonça.

O momento Edson Fachin

O supremo Edson Fachin é presidente do Supremo, mas demorou a agir como tal. De repente ele acordou, resolveu tirar o Xandão do inquérito das fakenews, pegou o inquérito pra ele, botou ordem na casa, suspendeu a ordem do supremo Mendonça para que o diretor geral da Polícia Federal saísse do cargo, decidiu que Mendonça deveria abrir o sigilo de todos os processos do Banco Master. Diante da timidez do supremo André, que abriu o sigilo só de alguns processos, Fachin deu ordem para que tudo fosse aberto. A decisão do supremo André para quebrar o sigilo só veio agora à noite (talvez tenhamos que voltar aqui amanhã, sabadão, darling).

O momento Andrei Passos Rodrigues

Andrei é o diretor geral da Polícia Federal que foi afastado pelo supremo André Mendonça, por ter supostamente monitorado indevidamente o ministro supremo, no caso, ele mesmo André. Andrei explicou para o supremo Fachin que a única coisa que fez foi enviar relatórios de inteligência internos da polícia para o supremo Xandão, por ordem do Xandão. Depois que foi suspenso pelo supremo André, Andrei contratou um advogado particular e foi até o supremo Dino para dizer que sua suspensão colocaria em risco ações que haviam sido pedidas pelo próprio Dino. Dino então suspendeu a suspensão e no dia seguinte vimos a operação da polícia no caso das emendas parlamentares enviadas à ONG ligada à produtora do Dark Horse.

O momento Zanin

Cristiano Zanin foi advogado de Lula e virou ministro supremo já no começo do governo. Diante do quadro de crise, Zanin teve o papel hoje de solicitar ao supremo André Mendonça todas as mensagens do celular do Vorcaro. O supremo André disse que não estavam com ele. Zanin insistiu e disse que não é possível que os advogados de Vorcaro tenham tido acesso a todo o conteúdo dos celulares enquanto eles, os ministros supremos, que vão decidir se o supremo Xandão deverá ser investigado, não tenham tido o mesmo acesso. Mas a guerra de ofícios que se sucedeu no dia de hoje mais pareceu um movimento coordenado para evitar que Xandão seja efetivamente apertado na próxima terça-feira, em sessão marcada pelo supremo-mor Edson Fachin.

O momento PGR

A procuradoria geral da República não ficou calada vendo o dia do pré-fim do mundo acontecendo na sua frente sem fazer nada. Foi a PGR que alertou o supremo Fachin que o supremo Mendonça estava sendo seletivo na abertura dos sigilos nesta sexta-feira. Foi por isso que Fachin deu nova ordem para que a abertura fosse mais completa.

O momento Gilmar Mendes

O supremo Gilmar Mendes nem disfarçou. Pediu diretamente ao supremo Fachin que a sessão de terça seja adiada. Ignorou o fato de que a única coisa que os ministros vão decidir é se abrem processo de investigação contra Xandão. Ninguém vai julgar se Xandão é ou não culpado. A ideia é decidir se o supremo Mendonça poderia ter pedido que a Polícia Federal produzisse o relatório que acabou entregando as mensagens entre Vorcaro e Xandão e os casos do contrato da Vivi Barci, esposa do Xandão, com o Vorcaro. E depois se o supremo Xandão deveria ser investigado. Portanto, ninguém vai julgar se Xandão é culpado ou inocente na sessão de terça.

O momento Xandão

Depois de ameaçar fazer um pronunciamento e recuar, Xandão entrou na guerra de ofícios hoje e pediu ao supremo Fachin para ter acesso a todos os documentos do caso Master.

O momento Careca do INSS

Não, darling, não me enganei. Não é momento careca do supremo, é momento careca do INSS mesmo. O ICL Notícias publicou hoje reportagem, que ficou escondida no meio de tanta notícia, uma reportagem dando conta de que uma das empresas de Flavitcho Bolsonaro ficava localizada na mesma sala em Brasília onde ficava quem? O careca do INSS. Ahã. Juro que você leu certo. O careca do INSS é aquele acusado no caso do desvio do dinheiro das contas dos aposentados e que era envolvido inclusive com a lobista que era amiga do Lulinha.

O momento Datafolha

E no meio disso tudo teve até Datafolha hoje. Lula e Flavitcho estão cada vez mais próximos, em empate técnico. Ontem Edinho Silva alertou que nos últimos 10 dias o rumo da campanha mudou e o eleitor agora está no modo antissistema e pode ser que Dark Horse não resolva mais para tirar votos de Flavitcho. Mas agora pela primeira vez temos a informação de que Flavitcho está de fato sendo investigado por corrupção. Como isso poderá afetar as eleições? Não sabemos.
Mas vale destacar a grande novidade do Datafolha que foi a simulação de segundo turno entre Lula e Augusto Cury, sim, o escritor. Lula ficaria com 45% e Cury com 43%. Isso significa que se Flavitcho desintegrar por conta do Dark Horse, Lula terá que enfrentar o Cury que hoje parece ser o que teria mais chance de herdar votos de Flavitcho.

O momento São Paulo

E enquanto todo mundo só fala do Supremo, o Haddad vai vendo sua campanha patinar em São Paulo. O Datafolha mostra que Tarcísio tem 49% das intenções de voto e tende a ganhar ainda no primeiro turno. Só para situar o eleitor, em São Paulo, praticamente só tem Haddad e Tarcísio concorrendo. Por isso, a chance de não ter segundo turno é gigante.

O momento Madame Satã

E terminamos com o momento da reportagem da revista piauí que conta da festinha do Halloween no Madame Satã com 120 mulheres para 20 homens com os melhores DJ ever do mundo. As presenças confirmadas: Pacheco e Alcolumbre. Os dois negam que foram na festinha e que tudo era invenção do zap do Vorcaro. A melhor parte foi o Madame Satã fazendo nota de esclarecimento para informar que o local é alugado para festas particulares quando não é aberto ao público e não se responsabiliza sobre as festas dos outros. Ok, o melhor mesmo foi o Rodrigo Bocardi que foi tirado do ar do SBT News indo no programa do Leo Dias na Band dizendo que grave é o marido da dona do SBT indo para putaria no Madame Satã. Fábio Faria aparece muitas vezes nas mensagens já que ele atuava como uma espécie de lobista a favor de Vorcaro e era quem convidava os políticos para as festinhas.

O momento recadinho do Pix

E vocês já sabem, os arquivos do Master foram recém abertos, não deu tempo de saber muito para escrever o éNoite de hoje. Assim que tivermos coisas interessantes reunidas, fazemos uma edição para atualizar vocês dos assuntos.
Enquanto isso, um Lóve you, com acento para nossos leitores de muitos anos que estão enviando recadinhos no Pix. Outro Lóve you, com acento para o pix das 218 páginas. Outro para nosso leitor de Viena (estamos dominando o mundo, BRASEW).

Queremos dizer que cada real importa. E se você acha que a Tixa vale R$ 1, vale R$ 2, vale R$ 50, vale R$ 100, vale R$ 1000, não importa, manda seu pix e seu recadinho. Cada recadinho nos faz continuar.
PIX: 49875575000147

Acorda, BRASEW.


Raiva na política nos EUA é a mais alta em 150 anos

 

17.ago.26 - O presidente dos EUA, Donald Trump, durante evento no Salão Oval da Casa Branca, em Washington, D.C

17.ago.26 - O presidente dos EUA, Donald Trump, durante evento no Salão Oval da Casa Branca, em Washington, D.C

JIM WATSON / AFP


"Fracassado", "corrupto", "dorminhoco", "de QI baixo", "estúpido", "desonrado", "vergonhoso", "bandido", "animal", "lunático", "psicopata", "perdedor", "perturbado", "doente", "pervertido", "escória", "canalha", "idiota", "imbecil".

Eis uma lista não exaustiva dos termos publicáveis usados pelo presidente dos Estados Unidos Donald Trump recentemente para caracterizar adversários políticos, inimigos geopolíticos ou jornalistas que cruzaram seu caminho. Em que pese a trajetória de outsider do atual mandatário dos EUA e seu estilo sui generis de comunicação, a agressividade no discurso político está longe de ser exclusividade de Trump.

Em mais de 150 anos, nunca houve tanta raiva no discurso político como em 2025 nos EUA. É o que mostra uma análise inédita de todos os discursos feitos no plenário do Congresso norte-americano desde 1874. Mas o levantamento — de autoria de economistas de Harvard, HEC Paris, Paris-Saclay e da Universidade da Califórnia, Berkeley — vai além, e mostra que não apenas os representantes eleitos estão mais raivosos do que nunca: posts de eleitores no X (antigo Twitter) e comentários de usuários no Reddit mostram que a raiva atingiu seu ápice na política na última década.

Dentre os tweets de votantes, a proporção de frases políticas que expressam raiva cresceu 35% entre 2013 e 2025. Nos tweets de membros do Congresso, essa proporção aumentou 72%. Quanto aos discursos em plenário, a raiva subiu 50%, no mesmo período.

O aumento da raiva não vem de usuários novos — as mesmas pessoas ficaram mais bravas, mesmo falando dos mesmos temas. E há um incentivo estrutural: tweets raivosos recebem 63% mais retweets que tweets neutros (59% no caso de congressistas), enquanto emoções positivas são até "punidas" com menos engajamento. A raiva também segue ciclos políticos claros do lado dos políticos: o partido fora da Casa Branca é sistematicamente o mais raivoso, e republicanos usam mais raiva que democratas, sobretudo online.

Quanto às políticas públicas, emoções negativas aumentam o apoio ao protecionismo e a políticas de imigração restritivas. Já emoções positivas reduzem o apoio ao populismo.

"Em suma, as emoções moldam tanto o engajamento quanto as opiniões sobre políticas", resumiu ao UOL uma das autoras do estudo, a economista Eva Davoine, da UC Berkeley.

Cruzamento de dados

As análises de milhares de discursos parlamentares e milhões de postagens em redes sociais foi possível graças ao auxílio de ferramentas de inteligência artificial. Deste modo, os pesquisadores conseguiram classificar cada texto à luz da expressão de oito emoções (e suas intensidades): raiva, tristeza, orgulho, gratidão, medo, nojo, alegria e esperança. Os pesquisadores cruzaram as contas de redes sociais com os registros públicos de eleitores nos EUA e sua filiação (Republicano, Democrata ou Independente), o que permitiu chegar às conclusões por características demográficas e ideológicas.

O resultado foi publicado no último dia 18, sob o título "The Rise of Anger: Emotions and Policy Views", no jornal do Social Economics Lab, da Universidade Harvard. As conclusões são válidas apenas para os EUA, mas o mesmo time de estudiosos fez trabalho semelhante com os discursos políticos na França, e encontrou resultados análogos.

"Portanto, já são dois países, duas democracias em que a raiva tem se mostrado em seu ápice. Eu não comentaria se no Brasil o mesmo acontece, porque não fizemos o estudo. Mas o grande diferencial da nossa metodologia é que ela pode ser replicada em qualquer país onde haja dados de discursos parlamentares disponíveis para análise, o que é o caso do Brasil", me disse Eva Davoine.

Segundo ela, o aspecto mais complexo da empreitada foi desenvolver essa ferramenta capaz de analisar as emoções. "Basicamente, seria muito simples agora baixar os discursos feitos no Brasil e aplicar nossa ferramenta, que é de acesso público — qualquer pessoa pode usá-la, é muito fácil. Basta executá-la para gerar o mesmo gráfico para o Brasil", afirma Davoine.

Cientistas políticos que se debruçam sobre os ciclos eleitorais e sociais de Brasil e EUA afirmam que os dois países assumiram uma dinâmica de espelho nos últimos anos: elegendo governantes populistas de direita, sendo palco de insurgências antidemocráticas, se deparando com o descrédito a instituições públicas. É razoável, portanto, supor que em ambientes democráticos como EUA e Brasil, o comportamento do eleitor médio seja parecido.

Neste sentido, o estudo mostra que as mulheres começaram abaixo dos homens em nível de raiva, mas rapidamente os ultrapassaram. Em termos educacionais, quem expressa mais raiva tem ensino superior incompleto ou apenas ensino médio completo. Bacharéis, mestres e doutores expressam menos raiva. Quando o assunto é a idade, eleitores mais velhos têm níveis mais altos de raiva do que os mais jovens. E moradores de zona rural postam com mais raiva do que os habitantes das cidades. Mas a raiva subiu em todos os grupos, sobretudo ao redor de 2016.

"Ter raiva pode parecer algo negativo, mas essa carga não existe. E a verdade é que a raiva é uma emoção mobilizadora, nesse sentido ela indica mais propensão ao engajamento político, enquanto o medo é paralisante e ruim para expressão política", diz Davoine.

Caso Master: Fachin pede fim do sigilo, mas Mendonça define os limites

 

Os ministros do STF André Mendonça e Alexandre de Moraes

Os ministros do STF André Mendonça e Alexandre de Moraes

Mateus Bonomi - 2.set.26/Folhapress


Asdrúbal Figueiró

O ministro André Mendonça (STF) afirmou hoje, em despacho ao presidente do tribunal, Edson Fachin, que todos os documentos referentes às investigações do caso Master tiveram seu sigilo derrubado.

As exceções, segundo Mendonça, são as informações relacionadas a diligências em andamento ou que ainda serão realizadas.

O fim do sigilo havia sido solicitado por Fachin a André Mendonça duas vezes. A primeira, ontem à noite. A segunda, hoje, após um pedido da PGR, que considerou incompleta a lista de documentos liberados ontem por Mendonça.

A liberação do sigilo foi solicitada por Fachin, entre outras razões, para permitir que os ministros tenham acesso aos detalhes do processo antes da sessão de terça-feira, que discutirá a abertura de uma investigação sobre Alexandre de Moraes, com base em elementos reunidos sob a relatoria de André Mendonça.

Referindo-se à solicitação de Fachin feita ontem à noite, Daniela Lima diz que o fim do sigilo sobre as investigações do banco Master é "parcial, e o árbitro do que vem à luz é Mendonça".

"Fachin não determinou, não ordenou. Ele pediu a Mendonça que atendesse aos dois dispositivos na medida do que entendesse cabível."

Leonardo Sakamoto tem opinião parecida.

Para ele, com a justificativa de manter secreto o que, na avaliação de Mendonça, pode atrapalhar as investigações em curso, Fachin permitiu que o próprio Mendonça escolhesse o que seria revelado.

"Com isso, Fachin apenas vai reforçar a seletividade da corte, dando respaldo institucional para que o ministro escolha o que vem a público em meio às eleições."

Em entrevista ao UOL News, do Canal UOL, o professor de direito constitucional da USP e colunista da Folha de S.Paulo Conrado Hübner argumentou que "Fachin não tem previsão legal para determinar ao Mendonça qualquer coisa".

"Ele sugere, ele recomenda e ele vai submeter ao plenário".

Na opinião de Hubner, os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli deveriam ser afastados do STF; e André Mendonça, perder a relatoria da investigação sobre o Banco Master.

O professor argumenta que as medidas deveriam, porém, ser decididas pelo plenário do STF, e não monocraticamente por Fachin.

sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Flávio Bolsonaro é investigado em inquérito da PF aberto para apurar financiamento do filme 'Dark Horse' com autorização de ANDRÉ MENDONÇA

 Investigação foi aberta em julho, depois que o ministro André Mendonça deu aval ao pedido da PF. Inquérito apura suspeitas de lavagem de dinheiro, corrupção e evasão de divisas.


O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) é investigado pela Polícia Federal (PF) em inquérito aberto para apurar a possível prática de crimes relacionados ao financiamento da produção do filme "Dark Horse", sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O procedimento foi autorizado em julho pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), após pedido da PF. A informação de que Flávio consta na lista de investigados veio à tona nesta sexta-feira (11), após o relator do caso levantar o sigilo a pedido do presidente da Corte, Edson Fachin.

Segundo a decisão, a PF investiga suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros possíveis crimes que teriam sido praticados, em tese, por Flávio Bolsonaro no contexto do financiamento do filme junto a Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) foi consultada e não se opôs à abertura da investigação.

O ministro determinou ainda que o caso fosse remetido à Polícia Federal para a realização das diligências investigativas que não dependessem de autorização judicial.

Investigações


O financiamento do filme de Bolsonaro é investigado em dois inquéritos perante o Supremo Tribunal Federal (STF).

➡️O primeiro, sob relatoria do ministro André Mendonça, apura os repasses feitos por Vorcaro — em que circunstâncias foram feitos, qual a origem do dinheiro, qual o montante exato e qual seu destino final. Investigadores suspeitam que parte dos recursos não tenha sido usada no filme.

É no âmbito deste inquérito que Flávio consta na lista de investigados.

➡️O segundo inquérito, sob relatoria do ministro Flávio Dino, investiga se a produtora Go Up Enterteinment usou emendas parlamentares para bancar a produção.

A PF fez uma operação nessa quinta-feira (10) e cumpriu mandados de busca e apreensão contra suspeitos de envolvimento em um esquema de desvio de emendas parlamentares.

Entre os alvos estão o deputado federal Mario Frias (PL-RJ) e Karina Ferreira da Gama, dona da produtora responsável pelo filme (veja mais abaixo).

➡️Havia ainda uma investigação em São Paulo, conduzida pela Polícia Civil, para apurar um contrato de mais de R$ 150 milhões entre a Go Up e a prefeitura para instalação de pontos de wi-fi em bairros da periferia. O contrato não foi cumprido integralmente e existem suspeitas de que parte dos valores foi desviada. Esse inquérito passou a tramitar com Dino no STF.

Finaciamento do filme

🎥O filme "Dark Horse" ganhou notoriedade após a divulgação, pelo site Intercept Brasil, de conversas entre o pré-candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do banco Master, em que o filho de Jair solicita recursos para financiar a produção cinematográfica.

O banqueiro Daniel Vorcaro ajudou a financiar o filme, e as negociações envolveram contatos diretos com o filho mais velho do ex-presidente, o senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que pediu dinheiro e pressionava pelos pagamentos.

O banqueiro Daniel Vorcaro chegou a pagar R$ 61 milhões aos produtores do filme, via fundo nos Estados Unidos.

Segundo o site "The Intercept Brasil", Flávio Bolsonaro teria negociado o repasse de US$ 24 milhões de dólares, cerca de R$ 134 milhões na época, para financiar a produção sobre Jair Bolsonaro.

R$ 75,1 milhões - valor que a produtora diz ter gasto;

R$ 61 milhões - valores que Daniel Vorcaro teria destinado ao filme via fundo nos EUA;

R$ 134 milhões - valor que Flávio Bolsonaro teria negociado antes de Vorcaro ser preso;

R$ 108 milhões - valor do contrato entre ONG de Karina da Gama e a Prefeitura de SP para instalação de wi-fi na capital paulista. Contrato é investigado pelo MP e Polícia Civil.

Operação 'Make Up'

O ministro Flávio Dino autorizou o cumprimento de mandados de busca e apreensão no âmbito da Operação Make Up, realizada conjuntamente pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União (CGU) nessa quinta-feira (11).

A ação cumpriu 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e no Distrito Federal.

➡️ Dino é o responsável por autorizar esse tipo de ação porque ele é o relator de processos no Supremo que investigam irregularidades no repasse desses recursos públicos, enviados por parlamentares para suas bases eleitorais.

O ministro também determinou a aplicação de medidas cautelares contra Mario Frias, proibindo o parlamentar de deixar o país e de manter qualquer contato com os demais investigados no inquérito que apura desvios de recursos públicos oriundos de emendas parlamentares.

A crise no STF

A crise no STF envolvendo Mendonça e Moraes começou a partir de decisões nas investigações sobre o Banco Master. Envolveu também o procurador-geral da República, Paulo Gonet, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e, posteriormente, o ministro Flávio Dino.
Antes da divulgação do relatório que desencadeou a sequência de decisões, já havia divergências entre o gabinete de André Mendonça e a direção da PF sobre o andamento das investigações do caso Master.

🔎 Mendonça é relator de apurações relacionadas ao banco e de um inquérito sobre repasses para a produção de um filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Em agosto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) havia orientado Andrei Rodrigues a procurar o ministro para discutir a relação entre a PF e o gabinete do relator.