quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Bolsonaristas miram impeachment de ministros do STF e liberdade para Jair

 

Os ministros do STF André Mendonça e Alexandre de Moraes

Os ministros do STF André Mendonça e Alexandre de Moraes

Mateus Bonomi - 2.set.26/Folhapress


Asdrúbal Figueiró

O coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, senador Rogério Marinho (PL-RN), disse que "não haverá vingança nem omissão" contra o STF (Supremo Tribunal Federal).

" Não haverá vingança dos bolsonaristas contra os ministros, mas também não haverá omissão. Na hora em que houver algum crime de responsabilidade por um ministro do Supremo Tribunal Federal, o Senado não vai se omitir. E hoje ele tem se omitido."

A declaração foi feita à saída de uma reunião com o presidente do STF, Edson Fachin. O ministro também se encontrou com a líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE).

As duas conversas foram realizadas por iniciativa do presidente do STF e ocorrem em meio ao crescimento no Senado da bancada que defende o impedimento de ministros do Supremo.

Segundo Daniela Lima, apesar de negar a intenção de vingança, "a posição de Rogério Marinho é bem clara".

"Não é uma coisa escondida: a campanha de Flávio Bolsonaro trata abertamente, como um marco do governo dele, o impeachment de ministro do Supremo Tribunal Federal."

De acordo com Cézar Feitoza, uma ala dos ministros do Supremo acredita que há espaço de negociação com um grupo de senadores do PL menos radicais e avalia que os parlamentares do centrão não apoiariam medidas muito drásticas contra integrantes da corte.

Outra ala, porém, segundo o colunista, "não acredita no sucesso do diálogo com o bolsonarismo e avalia que o tribunal precisará usar seus instrumentos para a defesa institucional."

Além da ameaça de impeachment contra ministros do Supremo, os bolsonaristas trabalham para conseguir a anistia de Jair Bolsonaro, afirma Josias de Souza.

"O bolsonarismo montou um cerco ao Supremo Tribunal Federal, que está politicamente em uma posição muito mais frágil do que já esteve. O objetivo é libertar Jair Bolsonaro, e o cerco envolve iniciativas políticas e jurídicas."

Para Leonardo Sakamoto, o ministro Kassio Nunes Marques (STF) transformou o segundo turno da eleição presidencial em um plebiscito sobre a libertação de Jair Bolsonaro da cadeia.

O ministro disse a interlocutores que deverá liberar o pedido de revisão criminal feito pela defesa do ex-presidente para julgamento pelo plenário do STF depois do dia 25.

"Se Flávio Bolsonaro vencer a disputa contra Lula, o magistrado se sentirá muito mais à vontade para votar pela sonhada liberdade ao ex-presidente", argumenta Sakamoto.

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