Uma placa posta sobre a toalha vermelha traz um dos lemas mais importantes daquela noite. "Só por hoje evitarei a primeira aposta". Estou no centro de São Paulo, em uma sede do JA (Jogadores Anônimos), irmandade que segue estrutura semelhante à dos Alcoólicos Anônimos e oferece apoio a pessoas que perderam o controle sobre jogos e apostas, seguindo um programa de 12 passos.
Entre rostos aflitos e mãos trêmulas, a maioria viu a vida e as finanças ruírem na tentativa de ganhar dinheiro pela tela do celular. O tamanho desse problema ultrapassa as paredes daquela sala.
Um dossiê produzido pelo IEPS (Instituto de Estudos para Políticas de Saúde) apontou que o vício em apostas online fez o Brasil perder R$ 38,8 bilhões, dos quais R$ 30 bilhões estariam relacionados à perda de qualidade de vida, depressão e tratamentos médicos. Agora, as bets (legais) foram proibidas, mas a medida não apaga o rastro deixado pelo vício. Nos últimos 12 meses, as buscas no Google por termos como "como parar de apostar" e "como parar de jogar no Tigrinho" cresceram 5.000%.
Ouvi histórias, mas, seguindo a regra do grupo, não rostos nem nomes reais. Executivas, vendedores, seguranças, empresários, mães: pessoas que, em algum momento, acreditaram ter encontrado uma oportunidade de dinheiro fácil.
As perdas tiraram o pouco de quem quase nada tinha e colocaram quem tinha muito diante de dívidas, relações destruídas e, em alguns casos, ameaças de morte feitas por agiotas.
Ali, como num espelho, todos reconhecem erros parecidos nos outros. Compartilham recaídas, vergonha, dívidas e estratégias para não voltar ao jogo. E encontram uma chance de recomeçar. Mesmo depois de tudo vivido com as bets, o maior medo daquela sala continua sendo o mesmo: voltar a apostar.
LEIA A REPORTAGEM NA ÍNTEGRA NO UOL PRIME |
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