segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Editorial: O risco e a promessa da eleição de Ulisses Gonçalves

Ulisses em campanha ao lado de Mariana eleita deputada federal também com expressiva votação na cidade de Imperatriz.


A eleição de Ulisses Gonçalves (PL) para deputado estadual pelo Maranhão em 2026 é um marco que merece reflexão. Não apenas pela expressiva votação em Imperatriz e Açailândia, somando em todo o Estado mais de 66 mil votos, mas pelo perfil que ele representa: o empresário milionário que ingressa na política com a promessa de eficiência e gestão, mas que carrega consigo o peso da desconfiança sobre a real capacidade de representar o cidadão comum.

O risco

O patrimônio declarado de mais de R$ 155 milhões coloca Ulisses em uma posição singular dentro da Assembleia Legislativa. A distância entre sua realidade econômica e a da maioria dos maranhenses pode se tornar um obstáculo para a construção de políticas públicas inclusivas. Há o risco de que sua atuação se concentre em pautas que favoreçam setores empresariais, especialmente o agronegócio, deixando em segundo plano questões sociais urgentes como saúde, educação e desigualdade.

A promessa

Por outro lado, sua trajetória no setor produtivo pode trazer uma visão pragmática e voltada para resultados. O Maranhão carece de políticas eficazes de infraestrutura e logística, áreas em que Gonçalves tem experiência e pode contribuir. Se conseguir transformar sua vivência empresarial em propostas que beneficiem a coletividade, poderá se destacar como um parlamentar capaz de modernizar a atuação legislativa.

Para o meio político a eleição de Ulisses fortalece o PL, que amplia sua bancada e se consolida como uma das forças políticas do estado. O partido terá a oportunidade de pautar debates estratégicos, mas também a responsabilidade de mostrar que sua expansão não se resume a interesses econômicos, e sim a compromissos com o desenvolvimento social.

Enfim, Ulisses Gonçalves representa tanto uma oportunidade quanto um risco para o Maranhão. Sua eleição é um teste para a capacidade da política estadual de equilibrar interesses econômicos e sociais. O futuro dirá se sua presença na Assembleia será lembrada como um avanço para o estado ou como mais um capítulo da distância entre representantes e representados.

 


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