segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

PF entrega hoje novo relatório do caso Master para ministro André Mendonça

 

José Cruz/Agência Brasil


Carolina Juliano

O ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça convocou para hoje uma nova reunião com investigadores da Polícia Federal responsáveis pelos inquéritos do Banco Master. O ministro deve tratar do andamento das apurações e dos próximos passos que devem ser tomados, inclusive analisar pedidos de novas diligências. Ele já havia se reunido com delegados no último dia 13 para ficar a par da apuração. No encontro de hoje, espera receber um primeiro relatório com o andamento do caso após ele ter retirado o nível máximo de sigilo sobre o material apreendido, imposto anteriormente por Toffoli, e ter dado mais autonomia aos investigadores. A PF deve apresentar nas próximas semanas o relatório sobre a primeira investigação relacionada ao Master e sobre a tentativa de compra pelo Banco de Brasília. Saiba mais.

Fachin arquiva relatório que apontava suspeição de Toffoli. O Supremo Tribunal Federal oficializou no sábado o arquivamento da ação que pedia a suspeição de Dias Toffoli para atuar nas investigações relacionadas ao Banco Master. O processo foi aberto em 10 de fevereiro após a Polícia Federal apresentar a Fachin um relatório com informações que estavam em aparelhos celulares de Daniel Vorcaro, dono do Master, que mencionam Toffoli. O ministro era o relator das apurações relacionadas ao banco, e as informações da PF acabaram por forçar o seu afastamento do posto. O arquivamento do pedido de suspeição foi publicado na chamada arguição de suspeição contra Toffoli, que estava sob relatoria do presidente do Supremo, Edson Fachin. Entenda.

México mata "El Mencho", e cartel responde com onda de ataques violentos

 

Policiais isolam área onde veículos foram incendiados por membros do crime organizado para bloquear uma estrada após operação militar que terminou com a morte do narcotraficante Nemesio Oseguera, conhecido como "El Mencho", foi morto, em Zapopan, México

Policiais isolam área onde veículos foram incendiados por membros do crime organizado para bloquear uma estrada após operação militar que terminou com a morte do narcotraficante Nemesio Oseguera, conhecido como "El Mencho", foi morto, em Zapopan, México

Gilberto Gallo/Reuters


Do UOL

O Exército do México, com apoio de inteligência dos Estados Unidos, matou neste domingo Nemesio Rubén Oseguera Cervantes, conhecido como "El Mencho", líder do Cartel Jalisco Nueva Generación (CJNG) e um dos narcotraficantes mais procurados do mundo.

Ele foi baleado durante um confronto em Tapalpa, na região montanhosa do estado de Jalisco, e morreu enquanto era transferido para a Cidade do México, segundo autoridades mexicanas.

 

Retaliação imediata

Horas após a operação, o CJNG promoveu bloqueios com veículos incendiados em rodovias de ao menos oito estados. Colunas de fumaça foram registradas em Puerto Vallarta, e Guadalajara — uma das cidades-sede da próxima Copa do Mundo — teve vias esvaziadas e comércio fechado.

Companhias como American Airlines e Air Canada cancelaram voos. Representações diplomáticas recomendaram que cidadãos estrangeiros permanecessem em locais seguros.

Pressão externa e coordenação bilateral

A operação ocorre em meio a pressão política de Washington. O presidente dos EUA, Donald Trump, vinha defendendo medidas mais duras contra cartéis mexicanos e chegou a mencionar a possibilidade de ações unilaterais.

Fontes dos dois governos indicam que a captura e morte de Oseguera foi coordenada por uma força-tarefa conjunta sediada no Arizona, criada no fim do ano passado para integrar inteligência militar e policial dos dois países.

 

O que pode vir a seguir

Especialistas em segurança avaliam que a morte de "El Mencho" não desarticula automaticamente o CJNG. O grupo expandiu sua presença internacional nos últimos anos e opera com comando descentralizado.

Sem um sucessor incontestável — o filho do líder cumpre prisão perpétua nos EUA —, o cartel pode enfrentar disputas internas. Autoridades americanas já alertaram para possíveis "espasmos de violência" nas próximas semanas.

sábado, 21 de fevereiro de 2026

Suprema Corte recusa agenda econômica de Trump, mas chancela todo o resto

 

Donald Trump

Donald Trump

Elizabeth Frantz/Reuters


Entre abatido e furioso, Donald Trump prometeu no começo do seu discurso, na tarde de ontem: "vou ser um bom menino".

No púlpito da Casa Branca, ele imediatamente quebrou a promessa. Acusou os membros da Suprema Corte dos Estados Unidos de estarem "sob influência de forças estrangeiras", de serem "tolos", "desleais", "antipatriotas" e "cachorrinhos de colo" de "esquerdistas radicais e falsos republicanos", de "envergonhar suas famílias" com uma decisão "horrível".

"Países estrangeiros que tiraram vantagem da gente por anos estão em êxtase, dançando na rua", disse.

Tudo isso poucas horas depois que a mais alta corte do país determinou, por 6 votos a 3, que Trump extrapolou seus poderes presidenciais ao impor tarifas a mais de cem países (incluindo o Brasil), usando como base a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional, de 1977.

Na derrota a Trump, somaram-se às três juízas liberais (Sonia Sotomayor, Elena Kagan e Ketanji Brown Jackson) o presidente da Corte, o conservador John Roberts, e os também conservadores Amy Coney Barrett e Neil Gorsuch, ambos nomeados pelo próprio Trump. O lado vencido foi composto pelos conservadores Clarence Thomas, Samuel Alito e Brett Kavanaugh (outro indicado por Trump).

A fúria de Trump indica o tamanho da derrota que a Suprema Corte impôs ao presidente: a decisão retira dele sua principal ferramenta de política econômica e internacional neste segundo mandato.

Agente da Imigração e Alfândega (ICE) durante uma operação em Minneapolis

Agente da Imigração e Alfândega (ICE) durante uma operação em Minneapolis

Leah Millis/Reuters

O outro lado da moeda

Mas em que pese a gravidade do resultado negativo do atual julgamento para o governo (que Trump promete driblar usando opções do Representante Comercial da Casa Branca, que são mais morosas e limitadas), o histórico da Suprema Corte até agora não apenas é amplamente favorável a Trump como viabilizou boa parte de sua agenda de governo.

Entre os mais de 20 casos de interesse do governo na Corte em 2025, a vontade de Trump prevaleceu em pelo menos 80% deles.

 

A Corte determinou, por exemplo, que juízes federais ao redor do país não tinham autoridade para dar decisões liminares que interrompessem em todo o território nacional ordens executivas do presidente, podando uma das maiores ferramentas da oposição neste segundo mandato de Trump.

Quando o tema foi imigração, a Corte abriu caminho para que os agentes do ICE (Agência de Imigração e Controle de Alfândega, na sigla em inglês) usassem características raciais e étnicas para justificar a abordagem de pessoas nas ruas dos EUA - algo que nenhum departamento de polícia do país jamais pode fazer.

liberou que Trump enviasse deportados de terceiros países para o Sudão do Sul, que enfrenta uma profunda crise humanitária em um contexto de guerra civil.

Em outro processo, os juízes garantiram ao presidente o direito de cassar o status temporário de migração humanitária de mais de meio milhão de venezuelanos, haitianos, cubanos e nicaraguenses, que passaram a estar sujeitos à deportação imediatamente. E sustentaram a decisão da Casa Branca de enviar forças do ICE e da Patrulha de Fronteira para operações de deportação em massa na Califórnia, algo que não acontecia antes da chegada de Trump no poder e que se repetiu em outros Estados, como Minessota.

Na frente administrativa, o Tribunal autorizou que Trump desmantelasse boa parte da estrutura do governo federal, que ele chama de "deep state".

 

Garantiu que o presidente podia levar a cabo demissões em massa de funcionários federais em cerca de 20 agências e órgãos (em um processo que levou à extinção da USAID). Para isso, Trump chegou a criar o Departamento de Eficiência Governamental, o DOGE, inicialmente chefiado pelo bilionário Elon Musk.

Em assuntos identitários e educacionais, a Suprema Corte ainda autorizou Trump a banir pessoas trans das Forças Armadas do país e a obrigar cidadãos americanos a incluir em seus passaportes o sexo de nascimento, conforme nos registros natais, mesmo que a pessoa tenha feito transição de gênero. O Tribunal também assegurou o direito do governo de cortar US$65 milhões em treinamentos previamente autorizados para professores em temas como "igualdade" e "diversidade".

A Corte já indicou também que deve sustentar leis estaduais que banem atletas transgêneros de competições esportivas, algo que o próprio presidente já defendeu publicamente.

 

Em questões orçamentárias, os magistrados ainda permitiram que Trump interrompesse pagamentos emergenciais de benefícios alimentares durante o shutdown do país, o que deu ao republicano poder de pressão sobre os democratas no Congresso para que aprovassem o orçamento federal, em novembro do ano passado.

E permitiu que o republicano congelasse US$4 bilhões em assistência internacional, apesar da aprovação do Congresso para o uso do dinheiro.

Fotografia do 40º presidente dos Estados Unidos, Ronald Reagan

Fotografia do 40º presidente dos Estados Unidos, Ronald Reagan

Wikimedia Commons

Quando o assunto é economia...

Os casos em que Trump perdeu ou parece prestes a perder, porém, mostram que a Suprema Corte, francamente conservadora, não está totalmente convencida dos planos econômicos do presidente.

Antes da derrota de ontem sobre o tarifaço, os juízes já tinham indicado intenção de barrar as tentativas de interferência de Trump sobre o FED, o Banco Central dos EUA.

 

Embora o resultado final do julgamento ainda não tenha sido publicado, no final de janeiro, em um posicionamento compartilhado pelos nove juízes, a Corte desafiou a ideia de Trump de que ele teria poderes para demitir Lisa Cook, uma das diretoras do board do FED.

Trump tem tentado forçar o banco a baixar os juros e disparado insultos e todo tipo de pressão a seus dirigentes. O FED tem independência institucional.

 

Se teve sucesso em impor a agenda MAGA de costumes na mais alta corte do país, o episódio mais recente de seu embate com os juízes sugere que, quando o assunto é economia, os magistrados de pendor republicano ainda são mais Ronald Reagan do que Donald Trump.

Flávio usa desfile sobre Lula no Carnaval para se aproximar do centro

 

Desfile da Acadêmicos de Niterói em homenagem a Lula

Desfile da Acadêmicos de Niterói em homenagem a Lula

Eduardo Anizelli/Folhapress


Roger Modkovski

O pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aproveitou o desfile em homenagem a Lula na escola de samba Acadêmicos de Niterói para falar nas redes sociais ao eleitor de centro, informa a colunista Daniela Lima.

 

Ele bateu seu recorde de alcance no período, conta Daniela, atendendo assim à estratégia de se aproximar do centro, vendendo-se como "menos radical" que seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Enquanto se prepara para o possível mano a mano entre Lula e Flávio, o PT ainda se preocupa com a situação da eleição para o Senado, considerada decisiva para manter a governabilidade a partir de 2027. Thais Bilenky e Marcos Sergio Silva relatam a movimentação de peças nesse pleito que vai renovar dois terços da Câmara Alta brasileira e mostram como o PT se apoia em aliados para tentar manter-se no jogo.

 

E no A Hora Thais e José Roberto de Toledo conversam com o cientista político Cesar Zucco, que defende que o eleitor ainda se pauta pela economia para votar, ainda que não conscientemente. Segundo ele, a relação entre dinheiro no bolso e aprovação do governo segue viva, ainda que atenuada.

Daniela Lima: Flávio usa Carnaval para falar ao centro e bate seu recorde nas redes

 

Daniela Lima: Para o Planalto, críticas a Lula no Carnaval têm impulsionamento pago

Alvaro Costa e Silva: Atrás das grades, Bolsonaro ensina Flávio a se espelhar nele

Thais Bilenky e Marcos Sergio Silva: PT larga em desvantagem em eleição decisiva ao Senado e se apoia em aliados

José Roberto de Toledo e Thais Bilenky: Bolso ainda manda mesmo que eleitor não sinta, diz cientista político

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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Anvisa apreende remédio para câncer falsificado, lote fake de Mounjaro e proíbe ‘chip hormonal’ no país

Medidas incluem apreensão de lotes adulterados, recolhimentos e suspensão da produção de implantes hormonais sem avaliação de segurança.

Uma caixa de Mounjaro, um medicamento injetável de tirzepatida usado para tratar diabetes tipo 2 e fabricado pela Lilly — Foto: REUTERS/George Frey/Foto de arquivo

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou nesta sexta-feira (20) um pacote de medidas que atinge medicamentos de alto custo e grande procura no Brasil —de tratamentos oncológicos a remédios para diabetes e obesidade— além de proibir, em todo o país, a manipulação de implantes hormonais com nesterona em farmácias magistrais.

Entre os casos mais graves, estão a identificação de lotes falsificados de Mounjaro, Enhertu e Botox, além da apreensão de anabolizantes sem registro.

As decisões constam nas Resoluções-RE nº 641 e nº 642, assinadas pela Gerência-Geral de Inspeção e Fiscalização Sanitária da agência.

Lote falsificado de Mounjaro


No caso do Mounjaro (tirzepatida), medicamento indicado para diabetes tipo 2 e amplamente usado também para perda de peso, a fabricante Eli Lilly do Brasil comunicou à Anvisa a presença, no mercado, de unidades do lote D838838 com características divergentes do produto original.


Segundo a agência, as embalagens apresentavam:


impressão borrada do nome e de outros dados de rotulagem;


- espaçamento maior que o padrão entre mês e ano na data de validade.


A Anvisa determinou apreensão e proibição de armazenamento, comercialização, distribuição, fabricação, importação e uso do lote. A medida vale para qualquer pessoa física ou jurídica que esteja com o produto. No texto oficial, a agência afirma que se trata, “portanto, de falsificação”.


Medicamento oncológico com frascos adulterados


Outro alerta envolve o Enhertu (trastuzumabe deruxtecana), usado no tratamento de câncer de mama e outros tumores HER2 positivos. A fabricante Daiichi Sankyo Brasil Farmacêutica informou ter identificado unidades do lote 416466 com diferenças físicas relevantes: frascos maiores que o padrão habitual; descascamento na tampa; tampa metálica pintada de amarelo, em vez da tampa plástica amarela original.

A Anvisa determinou a apreensão e proibiu a comercialização e distribuição do lote.

Também houve alerta de falsificação de lote específico de Botox, após comunicado da fabricante AbbVie Farmacêutica, com divergência nas datas de fabricação e validade.

FONTE: G1